São Paulo, 07 de maio de 2012 - Comentários sobre o evento: Avaliação de Ciclo de Vida - ACV na Indústria (pdf)
São Paulo, 04 de maio de 2012 - Campanha Cool Biz: economizando energia e reduzindo emissões de gases de efeitoestufa (pdf)
São Paulo, 27 de abril de 2012 - Walmart: acusações de corrupção que podem se desdobrar em milhões de perdas (pdf)
São Paulo, 19 de abril de 2012 - Risco país da Argentina nas alturas! (pdf)
São Paulo, 11 de abril de 2012 - Crise em Jirau: evento novo, lição não aprendida ou falha na gestão de crises? (pdf)
São Paulo, 03 de abril de 2012 - A Petrobrás também deveria pagar a conta no caso da Chevron? (pdf)
São Paulo, 28 de março de 2012 - 2012, um bom ano para a gestão integrada de riscos ao meio ambiente no ciclo de vida (pdf)
São Paulo, 21 de março de 2012 - Nova Norma Regulamentadora n°20 (NR-20), mais próxima da OIT 174 (pdf)
São Paulo, 07 de março de 2012 - Nem sempre a lei de oferta x procura é válida (pdf)
São Paulo, 28 de fevereiro de 2012 - Incêndio na Estação Antártica - revisado em 01/03/2012 (pdf)
São Paulo, 22 de fevereiro de 2012 - Risco Produto & Recalls: do risco operacional ao estratégico (pdf)
São Paulo, 16 de fevereiro de 2012 - Panamericano no Brasil e Olympus no Japão (pdf)
São Paulo, 07 de fevereiro de 2012 - CNSEG - Workshop de Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade da Indústria de Seguros (pdf)
São Paulo, 03 de fevereiro de 2012 - MARFRIG - aspectos da comunicação de crises de um típico acidente de segurança de processo (pdf)
São Paulo, 30 de janeiro de 2012 - Nuvem pesada continua sobre JIRAU! (pdf)
São Paulo, 27 de janeiro de 2012 - Risco Estratégico, Político ou Financeiro? (pdf)
São Paulo, 23 de janeiro de 2012 - World Economic Forum's Global Risk 2012 (pdf)
São Paulo, 18 de janeiro de 2012 - Naufrágio do Concordia - Erro humano (pdf)
São Paulo, 16 de janeiro de 2012 - Naufrágio do Concordia - Despreparo em caso de uma emergência? (pdf)
São Paulo, 08 de janeiro de 2012 - Stephen W. Hawking e a Sustentabilidade (pdf)
São Paulo, 22 de dezembro de 2011 - Boas festas e um próspero 2012 (pdf)
São Paulo, 14 de dezembro de 2011 - E o caso CHEVRON continua ! (pdf)
São Paulo, 08 de dezembro de 2011 - Nem bem passou o caso Chevron e uma nova ameaça no mar surge na pauta (pdf)
São Paulo, 25 de novembro de 2011 - Caso Chevron e BP. A face financeira? (pdf)
São Paulo, 10 de novembro de 2011 - Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho – PNSST (pdf)
São Paulo, 04 de novembro de 2011 - PAS 200 - Crisis Management. Guiddance and Good Practice - incorporando as crises latentes. (pdf)
São Paulo, 11 de outubro de 2011 - Cultura e ações ao invés de selos e certificações (pdf)
São Paulo, 21 de setembro de 2011 - Antigos lixões, vulnerabilidades ou oportunidades? (pdf)
São Paulo, 09 de setembro de 2011 - Ecoeficiência não é um simples programa ambiental (pdf)
São Paulo, 31 de agosto de 2011 - Novos riscos aos trabalhadores de obras civis (pdf)
São Paulo, 25 de agosto de 2011 - Uma abordagem de ciclo de vida na gestão do capital humano (pdf)
São Paulo, 18 de agosto de 2011 - Fornecedores: oportunidade e ameças (pdf)
São Paulo, 08 de agosto de 2011 - Quanto nos custa um risco percebido diferente do risco real? (pdf)
São Paulo, 01 de agosto de 2011 - Seria a Societal Security uma novidade? (pdf)
São Paulo, 25 de julho de 2011 - Fortalecimento da gestão de ciclo de vida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (pdf)
São Paulo, 07 de maio de 2012 Comentário sobre o evento: Avaliação de Ciclo de Vida - ACV na Indústria
Por Alexandre Yokote
Hoje em especial vou comentar um evento ocorrido na presente data, 07 de maio de 2012, sobre avaliação de ciclo de vida (ACV).
Antes de qualquer coisa, vale lembrar que a ACV é uma ferramenta de suporte à tomada de decisão ao consolidar quantitativamente aspectos ambientais (Inventário) e Impactos ambientais ao longo das etapas de ciclo de vida de um produto, do berço ao túmulo. Esse consolidado permite uma análise de oportunidades de melhoria ou um benchmarking ambiental ao indicar qual a “pegada ambiental” associada a cada etapa da existência de um produto desenvolvido para satisfazer uma necessidade humana.
Lembrando que a grande diferença com outras ferramentas é pelo fato de ser uma avaliação com foco na função de um produto e não no processo, o que expande o escopo do mapeamento, dando um caráter holístico.
Eu pessoalmente estudo ACV e uso a abordagem de ciclo de vida (aqui no Brasil chamado de pensamento ao invés de abordagem, sobre a tradução direta do life cycle thinking) a mais de uma década, tanto na vida acadêmica como profissional e em geral integrado com a abordagem em riscos. Neste contexto reforço que a ACV não é uma ferramenta do amanhã e sim uma importante ferramenta hoje, para a melhoria contínua do desempenho ambiental de produtos e serviços e para a meta de sustentabilidade organizacional.
Voltando ao evento coordenado pela ABCV (Associação Brasileira de Ciclo de Vida) e IEE-USP (Instituto de Eletrotécnica e Energia), nas pessoas de Prof Gil Anderi da Silva e Ildo Luis Sauer, respectivamente, teve a ilustre participação de Mary Ann Curran da USEPA (United States Environmental Protection Agency) com suporte do consulado americano, além de Cecília Leite do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), Beatriz Luz da Braskem, Juliana Nunes da Unilever e Bruno Pereira da Dow Química.
Na plateia (por acaso cheia) foi importante ver representação de diversas instituições públicas e privadas de diferentes setores, mostrando que o assunto está realmente ganhando força no mercado.
As apresentações foram boas, pois foi destacada tanto a parte conceitual aos iniciantes, quanto cases e principalmente a integração da ferramenta no processo decisório das empresas como parte da estratégia de sustentabilidade.
Mary Ann em sua apresentação apresentou a evolução do tem nos últimos anos (por exemplo a existência de 4.500 citações de ACV entre 1999 e 2010 via search no SCOPUS), a evolução dos modelos de impacto ambiental e como foi a história de ACV na USEPA e como é atualmente o processo de melhoria contínua na incorporação de ACV. Além disso destacou um artigo in press sobre avaliação de biocombustível por diferentes metodologias baseadas em ciclo de vida e um novo livro que está editando (lançamento previsto para agosto).
Mas o que fica marcado foi seu comentário no debate de que na USEPA a coisa também não foi fácil e mesmo eles não estão com ACV muito bem implantado, há muita melhoria a se desenvolver no âmbito da USEPA.
Nosso status atual é como da USEPA há mais 15 anos. Com o PBACV estamos começando a construir um planejamento de implantação do ciclo de vida como uma abordagem da gestão ambiental no Brasil, via requisitos legais e programas governamentais de incentivo. Isso foi um pouco da apresentação da Cecília do IBICT. Destaca-se a cartilha de ontologia ou glossário padrão para ciclo de vida que será lançado no próximo Congresso (III CBGCV) do assunto em setembro de 2012 (Maringá-PR).
Na apresentação da Juliana da Unilever, destaque por conta dos planos mundiais de sustentabilidade, onde se encaixam as demandas de ACV no desenvolvimento de produtos e embalagens.
Nas apresentações da Braskem e Dow a discussão maior ficou por conta do plástico verde, eteno proveniente da cana de açúcar.
Desde 2011 a Braskem passou a ter uma área dedicada à ACV. Atualmente usam o software SIMAPRO para auxílio na gestão e processamento de dados e possuem suporte de consultoria. A Dow, mundialmente já possui um setor com especialistas (5 profissionais) no assunto que agem como consultores internos à Organização, ajudando na parte estratégica dos estudos e interpretação dos resultados, bem como no suporte mundial ao desenvolvimento dos eco-profiles de plásticos. Na Dow também se utiliza o SIMAPRO e base de dados Ecoinvent.
Beatriz da Braskem informou que as empresas químicas estão desenvolvendo um guia sobre ACV para Executivos.
Um aspecto que é consenso e que ao mesmo tempo se torna uma vulnerabilidade aos estudos brasileiros é a questão da falta de informações públicas e base de dados de unidades de processo no Brasil. As empresas ainda dependem de bases de dados teóricas ou de unidades de processos de outros países, cujos dados não representam a realidade brasileira.
Outro importante aspecto fica por conta dos modelos de impacto ambiental, inexistente para o Brasil no que tange os impactos regionais. Por exemplo, a questão do impacto pelo consumo de água e uso do espaço físico. Estes dois impactos em especial criam uma grande incerteza na avaliação do ciclo de vida do etanol no Brasil, quando feito em benchmarking ao combustível fóssil. O consumo de água e espaço físico para cultura e processamento da cana é elevado em comparação à extração e refino de petróleo, por outro lado o Brasil possui grande espaço físico e volume de água, além da capacidade de renovação natural (aspecto discutível), portanto o impacto seria diferente do mesmo cultivo e processamento em lugar como Holanda.
Outro caso intrigante comentado pelo Bruno da Dow foi a autuação recebida na área de cultivo de cana da Dow em decorrência de proximidade da plantação com corpo hídrico. Porém o caso era que a área era utilizada para pecuária extensiva e quando da alteração para agrícola, houve recuperação de mata ciliar e APP, o que resultou no aumento do volume do corpo hídrico. Foi um impacto benéfico não previsto.
No debate ocorreram perguntas diversas, mas que não entrarei em detalhes.
Fica por fim uma colocação de que a ABCV seria um representante da sociedade e da iniciativa privada no desenvolvimento da ACV no Brasil e que um passo indispensável seria a padronização das técnicas e práticas dos profissionais de ACV, difusão do conceito e compromisso com o banco de dados brasileiro.
São Paulo, 04 de maio de 2012 Campanha Cool Biz: economizando energia e reduzindo emissões de gases de efeito estufa
Por Alexandre Yokote
Nos programas de ecoeficiência discutimos como melhorar a eficiência energética dos processos, produtos e serviços, não nos esquecendo de que aqui se insere nossas instalações. Em geral falamos de retrofitting ou novas tecnologias de climatização, energy saving em equipamentos tecnológicos, adequação de sistemas de iluminação, redução de desperdícios, e assim por diante.
Desde 2005, numa das sociedades mais tradicionais, o Ministério de Meio Ambiente do Japão lançou a primeira campanha anual Cool Biz, que se tratava da liberação pelo uso de vestimentas mais adequadas ao verão de modo que as temperaturas dos escritórios públicos pudessem ser mantidas o mais próximo da ambiental (28°C de junho a setembro), exigindo menos refrigeração e portanto redução do consumo de energia.
Entre as recomendações de vestimentas estavam o uso de camisas de manga curta, sem uso de ternos e gravatas, além de trajes com tecidos que permitem melhor ventilação. No início, segundo comentário, havia muitas dúvidas e receios quanto à imagem. Hoje já se permite camisas polos e até jeans e sandálias.
De lá para cá a campanha foi ganhando cada vez mais adesão (de 32,7% em 2005 para 57% em 2009).
O que era uma atitude estranha passou a virar costume. Um paradigma foi quebrado e ganhou força com o lamentável desastre natural do tsunami e os impactos sobre a geração de energia nuclear (em destaque o caso de Usina de Fukushima). Uma consciência global dos japoneses, na forma de uma força tarefa para reduzir o risco de apagão, hoje apoia a campanha que cada vez mais tem o apoio da iniciativa privada.
Em 2012 a campanha começou com 1 mês de antecedência, no último dia 1 de maio.
Outros países têm seguido a mesma idéia, inclusive a tradicional Inglaterra.
Algo simples que nos leva a repensar, qual o objetivo de um terno e gravata? Isso tem mais valor que a redução de consumo de energia e emissões de gases de efeito estufa?
Por que não institucionalizamos isso aqui no Brasil?
Se pensarmos que em média 40% do consumo de energia em um escritório está relacionado com o ar condicionado, o quanto os empresários economizariam na conta e o quanto os funcionários deixariam de gastar com paletós e gravata?
Sim, é verdade que houve mobilização dos lojistas de vestuário social no Japão, mas temos que pensar que é uma necessidade e mudança de padrão.
São Paulo, 27 de abril de 2012 Walmart: acusações de corrupção que podem se desdobrar em milhões em perdas
Por Alexandre Yokote
Este mês foi um daqueles com significativa volatilidade das ações, sendo esta última semana conturbada para os investidores. O que seria normal, já que estão sendo apresentados os resultados do 1° trimestre.
Tivemos ainda o caso da expropriação de ações na Argentina e o aumento da perspectiva de inadimplência, o que impactou a atratividade das ações dos bancos aqui no Brasil, com quedas de 6% por exemplo do Itau Unibanco.
Mas o que chamou a atenção do mercado foi a performance da rede varejista Walmart. No dia 21, em reportagem do The New York Times, surgiram acusações de que a rede varejista havia distribuído US$ 24 milhões em propinas no México para facilitar a obtenção de licenças e alvarás, dentro de um contexto de expansão da rede.
O valor da propina é até desprezível frente ao faturamento de US$440 bilhões em 2011, mas o problema é que pela lei anticorrupção, as coisas não param por aqui.
No México, as ações do Walmart acumulam uma queda de 12,81% na semana, nos EUA também teve quedas principalmente nos dias 23 e 24.
A preocupação dos investidores, não é pela perda de 24 milhões em gastos com propina que ainda não foram confirmadas.
No link a seguir vocês podem consultar a declaração oficial dada pelo Wal-Mart frente às acusações:
A preocupação dos investidores fica por conta dos desdobramentos jurídicos da questão, principalmente por haver acusações de que executivos da matriz estavam cientes da questão.
Enquanto aqui no Brasil, assistimos várias acusações de propina sem grandes desdobramentos, nos EUA a lei anticorrupção (The Foreign Corrupt Practices Act) é severa, podendo resultar em multas e sanções à empresa e executivos.
O mercado prevê que o Walmart terá que arcar com centenas de milhões de dólares em despesas legais com o processo e potenciais sanções.
Destaca-se que o Walmart já investindo nas questões anticorrupção, já tendo recentemente criado um cargo de VP global para cuidar do assunto (Global FCPA Compliance Officer) e em sua declaração destaque toda a revisão e reciclagem de procedimentos, além de auditorias.
Vale ressaltar que a questão de anticorrupção hoje está dentro de todas as formas de Governança de Sustentabilidade, por ser associado a um posicionamento de responsabilidade social corporativa das empresas.
O 10° Princípio do Pacto Global refere-se exclusivamente ao Combate à Corrupção.
São Paulo, 19 de abril de 2012 Risco-país da Argentina nas alturas!
Por Alexandre Yokote
A poucos anos, em 2006, a Argentina já tinha cancelado o contrato de concessão da GDF Suez no tratamento de água, este foi o caso Aguas Argentinas que gerou um litigio de quase US$1 bilhão e a Suez ainda nada recebeu.
A Petrobras acabou de ter uma concessão cassada de exploração, mas o maior destaque ficou por conta da expropriação das ações da Repsol (51%) na YPF, tanto nem petróleo quanto gás. Foi uma medida de nacionalização, um projeto de lei de soberania nacional sobre hidrocarbonetos na Argentina, declarando o abastecimento de combustíveis de interesse público no país.
A Repsol preiteia uma indenização de US$10,5 bilhões.
O contexto das expropriações e cancelamento de concessão é a falta de investimentos que as empresas fizeram e pretendiam fazer no país.
Num cenário ainda marcado por uma crise financeira global e que ainda reside na Europa em particular Portugal, Espanha, Itália e Grécia, um risco político como esse impactando uma empresa espanhola ganha desdobramentos no mercado de investimentos.
O risco país (country risk) da Argentina se elevou e o medo de investidores e mesmo de outras empresas internacionais com ativos e negócios na Argentina torna-se um pesadelo. As bolsas de valores, em destaque a própria Merval, já sentem uma queda vertiginosa por conta da YPF.
Alguns dizem que essa atitude do governo argentino foi uma reação ao desprezo recebido pela Argentina no caso das Malvinas, outros dizem que é uma tentativa de popularização da atual presidente. Há quem diga que é uma ação de sobrevivência da Argentina e outros que é um tiro no pé.
De qualquer modo, vamos ter que monitorar a repercussão no comércio mundial e as potenciais sanções que serão aplicadas à Argentina.
O risco político continua em alta no mundo e cada vez mais temos que ter o cuidado para que ações punitivas às empresas privadas multinacionais não ganhem um risco percebido maior e uma conotação de expropriação. Neste ponto destaco o recente caso, já comentado em outras newsletters, da multa e indenização preiteada pelo MPF sobre a Chevron que no mundo está sendo interpretado como uma ação de nacionalização pelo Brasil das operações da Chevron.
São Paulo, 11 de abril de 2012 Crise em Jirau: evento novo, lição não aprendida ou falha na gestão de crises?
Por Alexandre Yokote
Na última semana, quando achávamos que a greve já estava finalizada sem grandes desdobramentos em perdas nas Usinas do Rio Madeira, novamente estourou uma revolta generalizada que resultou na perda de mais de 30 módulos de alojamentos, uma nova bagunça em Porto Velho com operários buscando acomodações e mínimas condições para aguardar as decisões (esqueça a NR-18 nesta hora!) e um novo impacto à reputação da Camargo Corrêa e do Consórcio Energia Sustentável do Brasil.
Acontece que aconteceu a “mesma coisa” há um ano! As perdas são similares, apesar de ser uma fase diferente da obra, a origem ainda não está clara, mas foi de novo uma mobilização vândala interna.
Logo após os eventos de 2011, em uma importante publicação do mercado houve uma reportagem de capa com uma entrevista com o principal executivo da construtora, em que ele afirmava que possuíam um manual de crise, mas que nele não tinha informações sobre como retirar 20 mil pessoas em três dias e que na ocasião teve muita coisa já pensada anteriormente, mas a maior parte foi improvisação.
A PAS 200:2011 (Publicly Available Specification sobre Gestão de Crises) comenta que enquanto incidentes são gerados por riscos identificáveis e avaliáveis, crises são em geral geradas por riscos que não foram identificados ou então cuja avaliação em escala e intensidade não foram previstos como venham a acontecer. Incidentes são em geral geridos por respostas pré-preparadas, porém crises dependem de soluções genuinamente criativas. Mas ao mesmo tempo, temos que incidente é uma situação que pode representar ou levar a uma interrupção de negócios, perdas, emergências ou crises. Portanto, se não tratada adequadamente, um incidente pode resultar numa crise.
Uma das recomendações da PAS 200 é “a crise deve ser encarada como sintoma de uma fraqueza sistêmica na Organização, que deve ser objeto de investigação” e “padrões rigorosos e objetividade devem ser definidos quando se trata de identificar as lições de uma crise ou uma quase crise”. Basicamente o foco é ao invés de achar culpados, o certo é buscar um aprendizado.
A PAS 200 comenta que manuais não são úteis à gestão de crises, os manuais auxiliam nas tomadas de decisão da gestão de incidentes, mas para a gestão de crises há uma capabilidade necessária em criatividade no momento de decisão. Os manuais de gestão de crises devem focar mais para o fluxo de informações do que para soluções pré-definidas. A capacidade de tomar decisões nas horas quentes e sob pressão, quebrar paradigmas e enxergar dentro de todo este ambiente as novas oportunidades é uma habilidade essencial aos gestores de crise.
Recomenda que diferentemente de um PCN (continuidade de negócios), PAE (emergência) ou PGI (Incidentes), os planos de gestão de crises (PGC) não se beneficiam de listas detalhadas de ações ou atividades, pois devem ser sucintos.
Experiência própria: tudo dependerá do modelo de Gestão de Crises implantado. A partir do momento que consideramos que incidentes podem se desdobrar em crises, seria interessante buscar uma gestão integrada, de forma que barreiras preventivas e reativas sobre incidentes e riscos latentes minimizem a possibilidade de estourar uma crise.
A recorrência em Jirau pode ter sido uma lição não aprendida, ou uma falha no tratamento de incidentes, mas com certeza o risco era conhecido, porém talvez percebido de modo mais leve do que o real.
Outra coisa que os gestores devem analisar é se o evento não trata de uma crise latente, onde o impacto sobre a Organização e suas partes interessadas cresce, às vezes de maneira despercebida, durante um período de tempo, enquanto indicadores de uma crise potencial são possivelmente negados, ignorados, mal compreendidos ou não detectados. O pouco a pouco assumido como normal no dia a dia, mas que se mantém dormente até que um evento desencadeador acione um desdobramento com uma série e repercussões súbitas.
São Paulo, 03 de abril de 2012 A Petrobrás também deveria pagar a conta no caso da Chevron?
Por Alexandre Yokote
A notícia já corria em novembro passado, mas agora se têm uma confirmação formal e oficial da perda potencial que a Petrobrás eventualmente tenha que arcar pelos danos ambientais decorrentes dos incidentes na Bacia do Frade operado pela Chevron.
Conforme o Relatório Anual 20-F emitido em 02/04/2012 ao UNITED STATES SECURITIES AND EXCHANGE COMMISSION pela Petrobrás:
In November 2011, there was an oil spill in the Frade field, operated by Chevron Brasil Upstream Frade Ltda and located in the Campos basin. A federal prosecutor conducted an investigation in connection with the oil spill and has initiated legal proceedings against Chevron Brasil, Chevron Latin America Marketing LLC and Transocean Brasil Ltda. (the operator of the rig at the time of the spill), claiming US$11 billion in damages. The amount of this claim was attributed to the dispute by the federal prosecutor.
The Company believes that the amount attributed to this claim is unreasonable and is disproportionately high relative to the extent of the damages caused by the spill. Although the Company is not a party to this claim, as a member of the Frade consortium, the Company may be contractually liable for 30% of all loss contingencies arising out of this oil spill. In the event that Chevron is held liable under this claim, the Company may have to bear up to 30% of the cost of damages paid by Chevron.
Como uma empresa sócia do Consórcio Frade, a Petrobrás poder ter que arcar com 30% das perdas contingenciais decorrentes do vazamento. Criminalmente (crime ambiental) a Petrobrás não está sendo impactada, mas civilmente sim. A divisão final das indenizações e custos contingenciais ainda tem um longo caminho que vai depender das conclusões da investigação e a determinação da culpa.
Alguns artigos, da mesma forma que a própria Petrobras, criticam o valor pretendido da indenização (R$20 bilhões) pelo dano ambiental, como sendo um valor não adequado e desproporcional com relação ao dano e que isto pode ser interpretado como uma medida protecionista do Brasil, reduzindo a atratividade de investimentos do exterior no Brasil. Há artigos inclusive que criticam o fato da Petrobrás não ter sofrido sanções similares pelos seus diversos incidentes ambientais.
Talvez estamos vivendo em um período em que o risco percebido associado ao vazamento de petróleo esteja muito elevado frente ao risco real por conta de toda a mobilização mundial no evento da Deepwater Horizon da BP, a sociedade exige e o governo responde. Ou talvez estejam certo e a valoração ambiental resulta na indenização pedida, de qualquer forma, o caso Chevron não deve ser apenas um exemplo a ser dado e sim uma tendência a ser cobrada e que as indenizações tenham o custo razoável e adequado aos danos ambientais e a terceiros além de que todas as multas e indenizações sejam direcionadas para a recuperação das perdas ambientais e não na compensação social.
São Paulo, 28 de março de 2012 2012, um bom ano para a gestão integrada de riscos ao meio ambiente no ciclo de vida
Por Alexandre Yokote
2012 é um ano importante para a gestão ambiental no Brasil, não apenas pela RIO+20, mas também por uma série de expectativas e novidades já programadas. Nos EUA as coisa estão mornas em função das eleições presidenciais, na Europa o assunto ainda é a crise financeira e na Ásia ainda se têm dúvidas sobre o crescimento insustentável da China. No Oriente médio se mantém as crises políticas, ideológicas e nuclear.
Os americanos possuem um interessante destaque que não podemos esquecer é o desenrolar das indenizações vinculadas à catástrofe ambiental da plataforma Deepwater Horizon. No Brasil, estão pegando no pé da Chevron. Sem julgar, o caso Chevron no Brasil não se deve apenas ao evento do vazamento, mas sim aparenta ser um típico cenário de crise latente (pouco a pouco que somados, um dia estoura). As ações civis e criminais e respectivas consequências negativas institucionais à empresa representam um importante marco para a Gestão de Riscos ao Meio Ambiente.
Puxado pelo marketing da Rio+20, uma série de discussões e acordos setoriais estão andando, com os já citados em outras edições, os 4 Princípios para Sustentabilidade em Seguros, as ações de varejo sustentável e assim por diante.
Os programas de eficiência energética e hídrica e as políticas nacionais de resíduos sólidos e de mudanças climáticas devem ganhar mais destaque com a definição de regulamentações mais objetivas e ações de comando e controle. Pelo menos deve ser a realidade para resíduos, mas ainda uma longe expectativa para gases de efeito estufa. Ainda falta ao mercado reconhecer que mudanças climáticas é um driver de riscos e oportunidades de negócios, não apenas em função das metas e regulamentações, mas também pelos efeitos físicos da dinâmica meteorológica e nível de marés na economia mundial, no desenvolvimento do agrobusiness e na própria qualidade de vida. O incentivo dos créditos de carbono já começa a mostrar suas vulnerabilidades, por mais que as companhias aéreas tenham uma obrigação de compensar os GEEs na Europa, estamos vivendo uma queda acentuada do valor financeiro de um crédito de carbono no mercado europeu, com valore abaixo e 25% do que valiam no auge a poucos anos atrás.
A cada dia as empresas em geral buscam meios de Governança e reconhecimento diferenciados, ganhando força neste contexto os relatórios no formato GRI, ISE, DJSI, CDP e assim por diante.
Em comum a todos esses aspectos de Governança, às novas políticas e eventos, estão dois importantes alicerces conhecidos como abordagens, são elas: Abordagem de ciclo de vida (Life cycle thinking ou approach) e Abordagem em riscos (risk approach). O primeiro dá um caráter sistêmico ao nexo causal dos aspectos ambientais, desenvolvendo uma cultura de corresponsabilidade pela geração de poluentes, consumo de recursos naturais e alterações no meio biótico e abiótico, provê uma gestão compartilhada em função da relação de negócios produtos x consumidor ao longo de toda a cadeia de valores. A segunda abordagem trabalha na ciência da redução de incertezas e na previsão de eventos, construindo uma cultura proativa e preventiva.
Na prática as duas abordagens ainda estão andando em separados, uma análise de ciclo de vida quantifica aspectos ambientais e os interpreta em impacto, enquanto que uma análise de riscos quantifica a possibilidade de danos ambientais de determinadas severidades, porém nada impede das duas ferramentas serem trabalhadas de forma integrada, tentando mostrar os riscos ao meio ambiente ao longo de todo o ciclo de vida de um produto.
Qualquer empresa conseguiria mapear uma série de riscos e oportunidades associadas às mudanças climáticas se fizesse um mapeamento da cadeia de valores onde se insere. A ecoeficiência de instalações, bens e serviços depende de uma série de variáveis ao longo do ciclo de vida, da extração de recursos à disposição final (ou nova vida), da concepção aos descomissionamento..
A abordagem em riscos ao meio ambiente, inusitadamente para alguns, mas coerente para outros, ganhou força com o novo texto da Norma Regulamentadora NR-20 do MTE publicada no final de fevereiro.
Comento tudo isso para tentar mostrar a importância principalmente da ainda tão negligenciada ferramenta de análise de ciclo de vida e da própria gestão de ciclo de vida, de forma a poder dar força e fazer um marketing institucional á Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV) que este ano estará organizando sessões de capacitação e eventos científicos, com foco na difusão.
Não espere a regulamentação, preveja o risco e a oportunidade!
São Paulo, 21 de março de 2012 Nova Norma Regulamentadora n° 20 (NR-20), mais próxima da OIT 174
Por Alexandre Yokote
No último dia 29 de fevereiro foi publicada no DOU o novo texto do importante requisito legal NR-20, que passou de “Líquidos combustíveis e inflamáveis” para “Segurança e Saúde no Trabalho com inflamáveis e combustíveis”, mas não foi uma simples mudança de nome e de alguns pontos, foi uma completa reestruturação, discutida e consultada publicamente junto às diversas partes interessadas no assunto, principalmente as empresas do setor químico.
A nova NR-20, visa uma aproximação muito maior ao atendimento da Convenção OIT 174 de Prevenção de acidentes maiores (designa todo evento subitâneo, como emissão, incêndio ou explosão de grande magnitude, no curso de uma atividade em instalação sujeita a riscos de acidentes maiores, envolvendo uma ou mais substâncias perigosas e que implica grave perigo, imediato ou retardado, para os trabalhadores, a população ou o meio ambiente), com relação aos produtos inflamáveis e combustíveis.
Da mesma forma como vem acontecendo com as últimas NRs publicadas (p. ex a NR-10, NR-31, NR-32...), a NR-20 foi estruturada na forma de um programa de gestão, no caso, muito similar aos programas de gestão de segurança de processo, já comum no Responsible Care (Atuação Responsável) e também no PSM da OSHA. Algo que até então em termos legais ficava apenas por conta de legislações estaduais, mas mesmo assim com foco na questão ambiental (ex.: P4.261).
Com as novas definições de líquidos inflamáveis e combustíveis, alguns ainda terão problema em função das classificações, visto que pelo sistema de classificação global (GHS da ONU) em sua 4ª. edição classifica como líquido inflamável aqueles que tem ponto de fulgor abaixo de 93°C, enquanto que a NR-20 como menor ou igual a 60°C, a questão é que o GHS não diferencia mais combustíveis de inflamáveis. A OSHA delimita os inflamáveis como aqueles com PF abaixo de 37,8°C para indústrias em geral (e 60°C para construção). A NFPA 30 é similar à OSHA para indústrias em geral (OSHA §1910.106). Meio confuso a coisa!
Continuando.
Inicialmente a NR-20 estabelece uma classificação das instalações I a III com uma observação (Anexo I) a riscos menores, vinculando ao PPRA.
Na questão de projetos, já começa a surgir o caráter de gestão de riscos. Felizmente já não tem mais as tabelas de valores limitantes de distância. Agora a questão fica mais técnica, repassando para normas técnicas nacionais (quais????). O importante é que na prática irá demanda análise de consequência e efeitos físicos para abrangência de danos.
Talvez o ponto mais importante aqui seja que são barreiras ao projeto, as realizações de análises de riscos, que também devem ser revisadas nas modificações das instalações como gestão de mudanças.
Na construção, montagem e comissionamento surigirá uma demanda de especialistas principalmente em normas internacionais de segurança com inflamáveis, em destaque NFPA, API, HSE, ... além de tudo que muitos já estão acostumados com as referências estudas de Kletz, da AICHE, da IChemE,...
Em Segurança Operacional surge as questões dos controles operacionais de gestão sobre todo um contexto dinâmico dos mesmos serem mantidos atualizados e “vivos”. Na manutenção, vem o reforço da formalização de programas de inspeção e manutenção preventiva, preditiva e corretiva, além das permissões de trabalho (só faltou colocar algo mais objetivo para os Hot Works). As inspeções de segurança seguem o que já estava meio que previsto com a CIPA.
O item 20.10 é específico para Análise de Riscos na Operação. Na prática demandará mapeamentos qualitativos e em alguns casos estimativas quantitativos de risco. A APP ou APR será a ferramenta mais simples, para as instalações de maior risco outras ferramentas como HazOp, Bow-Tie, sem citar outras por exemplo listadas na ISO/IEC 31010.
Da mesma forma que nos EUA, visando uma customização e gestão sistêmica há uma necessidade de integração no processo de análise de risco para atender a o PSM (OSHA) e RMP (EPA), aqui teremos que estruturar os trabalhos para alinhar numa mesma linguagem as análises de riscos da NR-20, EAR do Órgão Ambiental e PPRA.
Outro ponto importante fica por conta da capacitação dos profissionais, mesmo sem contato direto com o risco, além dos profissionais de resposta a emergência, já sendo definidas classes de treinamento com respectivos conteúdos programáticos.
Em 20.12 e 20.13, são estabelecidos os gerenciamentos preventivos e controle de fontes de ignição. Minha ressalva era que faltou um novo reforço para classificação de áreas de atmosfera explosiva e dispositivos certificados Ex.
Em 2.14 temos a última barreira, o plano de resposta a emergência que deve ter possíveis cenários de emergências, com base nas análises de riscos. Nos casos em que os resultados das análises de riscos indiquem a possibilidade de ocorrência de um acidente cujas consequências ultrapassem os limites da instalação, o empregador deve incorporar no plano de emergência ações que visem à proteção da comunidade circunvizinha, estabelecendo mecanismos de comunicação e alerta, de isolamento da área atingida e de acionamento das autoridades públicas.
Contratantes e contratadas respondem solidariamente, cabe à contratante informar às contratadas e a seus empregados os riscos existentes no ambiente de trabalho e as respectivas medidas de segurança e de resposta a emergências a serem adotadas.
Por conta do 20.17 que proíbe a instalação de tanques aéreos no interior de edifícios, fora as exceções com óleo diesel de sistemas emergenciais de incêndio e de geração, poderá gerar algumas confusões com questões ambientais e de manutenção, mas claramente, no dia a dia, o fato de serem enterrados reduz o risco de formação de atmosfera explosiva e incêndio.
Na desativação da instalação, ao invés de repassar tudo para normas técnicas, poderia a seradvertido os problemas comuns das tancagens, dutos, dentre outros com residuais de atmosfera explosiva no interior, motivo de muitos acidentes já registrados.
Por fim, destaco a pertinente questão:
“Os trabalhadores, com base em sua capacitação e experiência, devem interromper suas tarefas, exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem evidências de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou de outras pessoas, comunicando imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis.”
Concluindo: Importante passo para a segurança de processo no Brasil, falta agora algo também mais objetivo para as substâncias tóxicas.
São Paulo, 07 de março de 2012 Nem sempre a lei da ofeta x procura é válida
Por Alexandre Yokote
É realmente uma questão jurídica interessante. Nem sempre a lei da oferta X procura é válida, visto que neste cenário todo que estamos presenciando na capital de São Paulo com a greve dos transportadores de combustível, ocorreram prisões e multas por aumento abusivo no preço do combustível em alguns postos. Conforme o Código de Defesa do Consumidor (CDC), é considerada como prática abusiva elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços.
Podemos dizer que há uma questão ética também no aumento circunstancial do preço, mas então caímos naquela velha questão latina da diferença entre ser esperto e ser antiético, isso que nem entramos na discussão sobre cartel.
Neste caso, o desabastecimento não pode ser visto como um risco positivo pelos donos de postos, ou seja, não é uma oportunidade para lucrar no valor unitário para reduzir as perdas no volume.
No caso da gasolina o preço na refinaria é fixado pelo governo (para infelicidade dos acionistas da Petrobrás), diferentemente do etanol. Neste último dia há reclamações pelo aumento de 20% na gasolina, mas quando isso acontece com o etanol, apenas deixamos de consumi-lo. Por quê?
Como os postos podem então gerir seus riscos, sendo que um deles é o risco de interrupção do fornecedor. Criar maiores inventários geram outros riscos, aumentar o preço é passível de punição (prisão e multa de até 6 milhões), estabelecer cotas também... e agora?
A questão é forçar logo uma quebra de braço entre empresas, sindicatos e governo.
Outro comentário que faço é que pouco estamos ouvindo falar sobre economizar combustível, deixar o carro em casa até a situação normalizar.
O feijão, um dos principais alimentos no Brasil, deu um salto de R$3 para R$5, mais de 50% de aumento em função da falta. Isso impacta muito mais o povo brasileiro do que o preço da gasolina.
Mas voltando à questão da gasolina, a origem de tudo é complexa. A sociedade para GERIR SEU RISCO reclamava do aumento do trânsito nas marginais, o governo para GERIR SEU RISCO fez duplicações e estabeleceu o rodízio, alguns setores da sociedade para GERIR SEU RISCO fez chantagem (segundo o prefeito) ou simplesmente cruzou os braços, a Sociedade para GERIR SEU RISCO correu para os postos para completar o tanque e fazer uma reserva em casa (que risco!!!), alguns postos para GERIR SEU RISCO aumentaram o preço e novamente a sociedade para GEIR SEU RISCO reclamou e o governo finalmente para GERIR SEU RISCO prendeu e multou postos.
Mas que teia de aranha! E no final das contas quem sofre mesmo é quem mais precisa, o povo que agora corre risco de ficar sem ambulância, sem energia em geradores, sem caminhões de bombeiro, ....
É por isso que falamos que a gestão de risco deve ser feita com uma visão sistêmica ou holística.
São Paulo, 28 de fevereiro de 2012 Incêndio na Estação Antártica - revisado em 01/03/2012
Por Alexandre Yokote
Ocorreram eventos nestes últimos dias que mereciam comentários dentro de nosso contexto de gestão de riscos, tais como o acidente com a menina de 14 anos no Hopi Hari, navio cruzeiro com surto de gripe tipo B, outro navio cruzeiro à deriva no Índico após incêndio e o incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz.
No acidente do parque de diversões as primeiras informações eram de quem não foi constatada falha mecânica, sendo provável que a causa esteja associado a um erro humano, não do usuário, mas dos profissionais que gerenciam o risco do equipamento, tais como inspetores, mantenedores e operadores. Pelo tipo de acidente era bem mais provável que seja uma falha operacional do que uma decisão estratégica errada ou erro de projeto, mas novas informações mudaram o rumo, primeiro a perícia feita na cadeira errada (uma foto mudou tudo) e depois a informação de que o assento associado ao acidente nunca havia sido utilizado por falha técnica desde o início da instalação do brinquedo! O rumo muda, pois deixa de ser um caso de falha operacional para cair na cabeça de quem tomou a decisão de manter disponível ao público um brinquedo com defeito desde o início, sem qualquer advertência.
No caso do cruzeiro com surto de gripe é inacreditável saber que já havia tido um registro de fatalidade e mesmo assim o navio foi liberado, no meu ponto de vista, foi uma decisão estratégica tomada equivocadamente. O outro navio à deriva, apesar de ser da mesma empresa que o desastroso “Concórdia”, não resultou em danos maiores, pois o incêndio foi controlado e socorros e reboques foram acionados.
O incêndio na Estação resultou na perda patrimonial de quase toda a instalação, perda de duas vidas (militares) e anos de pesquisa. A estação de 2.600 m2 estava com cerca de 50 pessoas.
Vamos analisar melhor o caso pois há um interessante aspecto de Proteção Patrimonial Vs. Impacto Ambiental, algo que já discutimos em outras newsletters e que tende a aumentar o conflito em função do crescimento dos conceitos de construções sustentáveis.
A Estação Antártica Comandante Ferraz era um bloco integrado concentrado em um pequeno espaço físico que segundo especialistas seria para melhorar a segurança frente a ventos fortes e reduzir o impacto ambiental pela alteração do meio físico. Na prática, distâncias menores de 15 metros já representam sistemas não isolados quanto a proteção em caso de incêndio, neste caso não apenas falando da forma de transporte de calor por condução, mas também da convecção e irradiação. Se não há isolamento podemos atuar com compartimentações através de barreiras físicas em pontos estratégicos que suportam no mínimo 2 horas de incêndio. Segundo informações, a instalação não possuía portas corta-fogo, inclusive alguns comentam que realmente não poderiam ter, mas no meu ponto de vista era possível compartimentar determinadas áreas de risco contanto que estivessem bem estabelecidas as rotas de fuga e pontos seguros.
A estrutura em forma de containers metálicos favorece a montagem e desmontagem, além do transporte do material, porém estruturas metálicas são fisicamente frágeis em caso de incêndio, apesar de não serem combustíveis como a madeira e plásticos, o aquecimento derruba a resistência mecânica do material.
O forro térmico normalmente é feito por materiais combustíveis, o uso de aditivos anti-chamas tem normalmente vínculo com substâncias ambientalmente danosas.
Os aspectos construtivos em locais difícil acesso e condições meteorológicas pesadas, além de metas para reduzido impacto ambiental, ainda irão merecer muitas discussões e pesquisas quanto a tolerabilidade de cada risco, mas sem dúvida os sistemas protecionais de incêndio devem existir, ser mantidos para pronta operação.
Portanto o mais preocupante foi o fato dos sistemas de detecção e alarme não terem sido acionados e o sistema de combate não ter sido eficaz visto que tentaram usar água do mar que congelou nas mangueiras! Manter um sistema de reserva de água com aquecimento para no mínimo 2 horas de combate eventualmente poderia ser considerado um impacto ambiental desnecessário, visto que se demandaria energia para manter o sistema, o que já era considerado escasso, sem contar nas emissões de poluentes de um gerador (por mais que seja etanol). O local também não tinha sprinklers (em câmeras frigoríficas e em locais onde a temperatura chega abaixo de zero usa-se inclusive antifreeze.
Mas acima de tudo, tomando por base que o incêndio possa ter sido originado de pane elétrica e que este está associado a uma manutenção não ideal para as condições, outras ações devem ser consideradas numa nova Estação. Um erro comum que cometemos na reforma de embarcações e estabelecimentos é aumentar a carga de energia na entrada em função do crescimento da demanda, sem olharmos para os cabeamentos. Muitas vezes trocamos os sistemas protecionais de alta corrente (fusíveis e geradores) para atender a demanda, mas esquecemos que esta maior demanda gera mais aquecimento na conexões e ao longo dos cabeamentos (efeito Joule) que acabam por se tornar o elo fraco do sistema, propiciando uma ignição do incêndio.
Outra questão também comentada foi a troca do diesel por etanol (ainda estava em teste) nos geradores de energia. Não é uma simples troca como usar um motor flex no carro. O etanol além de possuir algumas características corrosivas (etano hidratado) maior, possui um ponto de fulgor menor, sendo portanto mais inflamável.
São Paulo, 22 de fevereiro de 2012 Risco Produto & Recalls: do risco operacional ao estratégico
Por Alexandre Yokote
Nesta semana vamos falar sobre um tipo de risco que de certo modo sempre se manifestava, mas, em função da globalização, velocidade de difusão das informações, controle de qualidade e até responsabilidade social, esse risco tem aparecido mais em mídia.
Trata-se do risco operacional chamado de risco produto, onde uma não conformidade na produção, design ou projeto pode resultar em perdas aos consumidores e outras partes da cadeia produtiva.
Na história já ouve diversos casos como:
·Coca-cola na Europa - CO2 fora de especificação e contaminação das caixas de embalagem por fungicida - 31% de perda de receita em 1999 e perda de 49% do seu mercado, prejuízo de US$103 milhões;
·O histórico caso do Intel Pentium de 1994 – falha de programação - Prejuízo de US$475 milhões
·Os pneus da Ford Explorer,
·Aqui no Brasil o ajuste que decepava dedos do VW FOX, os tapetes do Corolla que prendiam no acelerador, as pílulas anticoncepcionais da ...
·Uma infinidade de ocorrências que demandaram um “RECALL”.
Atualmente se destacam 3 setores da economia neste contexto: automobilístico, alimentício e o farmacêutico. Para não esquecer também tem o de utilidades públicas (energia, água e telefonia), mas em geral por algumas especificações diferenciadas como atendimento.
A questão dos recalls está cada dia mais comum, mas não por haver mais falhas, mas sim por reclamarmos mais da qualidade do que consumimos e historicamente isto ter motivado processos civis e até penais e uma grande perda de reputação das empresas.
Quando falamos em risco, estamos trabalhando com probabilidade e consequência, porém na prática um outro elemento entra na equação, a percepção, também chamado de “indignação” por Peter Sandman conforme citado até no best-sellerFREAKNOMICS. Normalmente ponderamos para mais riscos com consequências maiores (perdas maiores), ou que atingem nossa integridade física, econômica ou social. Também ponderamos para cima riscos cujo evento temos baixo poder de controle. ... Também ponderamos para cima riscos que de certo modo “nos toca, mesmo que irracionalmente”. Esta á a tradicional questão da diferença entre Risco Percebido e Risco Real.
Por isso até, prestamos mais atenção naquilo que está na nossa frente no dia a dia, familiares, alimentos, medicamentos e nosso carro! Há uma série de riscos produto que nos trazem mais perdas no dia a dia, principalmente por serem mais frequentes que essas falhas citadas, só para citar, me digam quem um dia já reclamou da gordura no bife de chorizo argentino num bom restaurante da Recoleta? Problemas cardíacos são os campeões na mortandade humana, mas ainda não damos muita atenção.
Podemos falar que nas últimas 2 décadas, os controles emergenciais e contingenciais do risco produtos começou a ser significativo na parte contábil, fazendo com que ganhasse um outro patamar.
Mas é claro que apenas o custo do recall não é único, temos toda a perda de reputação e perda de valor de mercado, fazendo com esse risco ganhe também o patamar estratégico da Organização.
Lembra da questão do errar é humano, mas repetir no erro é ......
Cada vez mais a sociedade começa a se perguntar se foi uma falha da operação ou uma decisão equivocada? Ainda é comum vermos comentários de que a falha ocorreu na linha de produção ou no controle de qualidade, quando também não jogam a culpa toda aos fornecedores.
Mas voltando a esta semana de “CARNAVAL”, temos a notícia a poucas horas de que o diretor-presidente (CEO) da Johnson & Johnson, o Sr. Willian Weldon deixará o cargo após um desgaste frente às perdas bilionárias com sucessivos recalls (o último foi novamente com o Tylenol para crianças que apresentava aos pais uma certa dificuldade com o uso do dosador). Para seu cargo assumirá o VP Gorsky (que entre outras coisas receberá um salário de US$ 1,2 milhões).
·Information about the recall of Infants' TYLENOL® - February 17, 2012
·Information about the recall of certain lots of MOTRIN® IB products - December 21, 2011
·Information about the recall of certain lots of TYLENOL® Cold Multi-Symptom Nighttime Rapid Release Gelcaps - August 15, 2011
·Information about the recall of one lot of TYLENOL® Extra Strength Caplets - June 28, 2011
·Information related to the recall of certain lots of TYLENOL® 8 Hour, TYLENOL® Arthritis Pain, TYLENOL® Sinus, BENADRYL® and SUDAFED PE® products - March 29, 2011
·Information related to the recall of certain lots of SUDAFED® 24 Hour - February 24, 2011
·Information related to the recall of certain lots of TYLENOL® 8 Hour, TYLENOL® Arthritis Pain, TYLENOL® Cold, TYLENOL® Allergy, TYLENOL® Sinus, BENADRYL®, SINUTAB® Sinus, SUDAFED PE® and ROLAIDS® products - January 14, 2011
·Information about the recall of ROLAIDS® Softchews - December 9, 2010
·Information about the recall of TYLENOL® Cold Liquid products - November 24, 2010
·Information about the recall of Children's BENADRYL® Allergy FASTMELT® Tablets - November 15, 2010
·Information about the recall of Junior Strength MOTRIN® - November 15, 2010
·Information about the recall of one lot of ROLAIDS® Extra Strength Softchews - November 15, 2010
·Information about the recall of one lot of TYLENOL® 8 Hour - October 18, 2010
·Information about the recall of certain TYLENOL® Extra Strength, TYLENOL® PM , Children's TYLENOL® Meltaways , BENADRYL® Allergy ULTRATAB™ Tablets and MOTRIN® IB products - July 8, 2010
·Information about the recall of certain TYLENOL® Extra Strength Rapid Release Gels and BENADRYL® Allergy ULTRATAB™ Tablets products - June 15, 2010
·Information about the recall of certain Infants' and Children's products - April 30, 2010
·Information about the recall of ZYRTEC® Itchy Eye Drops - March 2010
·Information about the recall of certain Children's TYLENOL® and Children's ZYRTEC® products - March 2010
·Information about the recall of certain Infants' TYLENOL® products, Infants' MOTRIN® products, and Children's ZYRTEC® professional samples - March 2010
São Paulo, 16 de fevereiro de 2012 Panamericano no Brasil e Olympus no Japão
Por Alexandre Yokote
Em meio às divulgações dos balanços das empresas, também estamos acompanhando uma parte do desfecho das fraudes no Banco Panamericano (Brasil) e da Olympus (Japão).
Rapidamente, as duas companhias de capital aberto, o Panamericano na BMFBovespa e a Olympus na TSE, mesmo com todo o rigor de Governança e Controles Internos tradicional das bolsas e fortalecido pós Enron e Worldcom com a SOX e similares, foram casos de fraudes contáveis que vieram a tona. No caso das giangantes americanas, as empresas desapareceram, a empresa de auditoria Arthur Andersen foi extinta, investidores perderam dinheiro e até filmes sobre o assunto já foram feitos. Será que alguém também vai produzir filmes sobre o Panamericano que tinha o grupo Silvo Santos por trás? Ou então um filme da quase centenária Olympus? Como é comum acontecer, infelizmente o caso da Olympus do Japão ainda pode resultar até em suicídio.
Em novembro de 2010 as ações do Panamericano caíram em um único dia quase 30%, o rombo pode chegar a mais de R$4,3 bilhões e no dia 7/02/2012 a PF indiciou 22 suspeitos pela prática dos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e crimes financeiros. A auditoria e seus auditores não escaparam impunes.
Hoje dia 16 sai a notícia da detenção de ex-executivos da Olympus, inclusive do auditor. Na Tokyo Stock Exchange há uma advertência à Olympus de Segurança em Alerta. As quedas acumuladas nas ações da empresa são monumentais, 50% nos últimos 6 meses, no último pregão foram mais 2,38%.
Ou seja, no mundo todo, ainda presenciamos falhas nos controles internos, mesmo com todo o rigor dos controles internos e das auditorias ficais.
Na gestão de riscos, acredito que o risco de fraudes eram conhecidos e entendidos pelos gestores, mas não tanto pelo mercado. Aparentemente os controles falharam e o monitoramento não foi eficaz. Que outros guarda-chuvas ainda podemos ter?
Já podemos presenciar aspectos de comunicação de crises no caso da Olympus e uma luz no túnel com o interesse de gigantes do setor para aquisição de negócios da empresa, como foi o caso do Panamericano assumido por outro grupo.
Ambas as empresas podem sobreviver por serem oportunidades de negócios e terem produtos e serviços atrativos no mercado.
É comum em grandes investimentos no mercado avaliarmos os riscos e oportunidades, bem como os controles internos, resiliência e uma série de processos de gerenciamento de riscos com vista a garantir a sustentabilidade organizacional. Mas será que cada vez mais teremos que expandir a análise de oportunidades da empresa em cenários pós-fraudes catastróficas como essas?
São Paulo, 07 de fevereiro de 2012 CNSEG - Workshop de Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade da Indústria de Seguros
Por Alexandre Yokote
Hoje dia 07 de fevereiro aconteceu o primeiro Workshop Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade promovido pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg).
Trata-se de um evento idealizado e resultado de uma série de iniciativas já em andamento no setor de seguros, visando um alinhamento aos princípios de sustentabilidade do UNEP-FI, bem como o próprio posicionamento da indústria de seguros brasileira na questão de “riscos e oportunidades” aos novos desafios da sustentabilidade, dentre os quais o comentado as Mudanças Climáticas, que de um lado pode ser associado a incertezas e aumento de sinistralidades em ramos elementares, saúde e vida, mas por outro lado abre um leque de novos produtos em seguro (a ex. de seguros garantia para crédito de carbono) cujo Seguradoras e Resseguradoras podem aproveitar, fugindo das coberturas tradicionais.
Apenas para conhecimento, há 4 Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSS) que serão lançados na Rio+20, eles envolvem questões ambientais, sociais e de governança (ASG):
1)Iremos incorporar em nosso processo de tomada de decisões as questões ambientais, sociais e de governança – ASG – que sejam relevantes para o nosso negócio de seguros.
2)Vamos interagir com nossos clientes e parceiros comerciais para aumentar a conscientização sobre questões ASG, gerenciamento de riscos e desenvolvimentos de soluções.
3)Trabalharemos em conjunto com governos, órgãos reguladores, formuladores de políticas e outras partes interessadas para promover ações coletivas no gerenciamento de riscos ASG.
4)Demostraremos responsabilidade e transparência aos nossos stakeholders, divulgando periodicamente nossos progressos na implementação dos Princípios.
Diferentemente do Protocolo Verde da Indústria de seguros assinado em 2009, similar ao dos Bancos, apenas a ecoeficiência e responsabilidade social interna nos processos não está explícitas nos Princípios. A questão de produtos verdes e de inclusão, podemos dizer que faz parte do 1° Princípio.
Da minha experiência de anos como engenheiro de risco para seguros, posso dizer que:
a)O Princípio 3 é suma importância em função das características de normativas legais da indústria de seguros no Brasil, pois há Órgão regulador e regras que devem ser seguidas para proteger o consumidor e a capacidade das seguradoras (a abertura de mercado ressegurador no Brasil é algo extremamente recente, antigamente podíamos quase dizer que o seguro do seguro era um risco comprado pelo governo brasileiro através do IRB). Não se lança por exemplo, novos produtos sem haver uma regulamentação da cobertura e de suas regras, como também não se pode direcionar parte do capital das seguradoras acima de um determinado valor, para investimentos de risco (diferentemente do que acontecia nos EUA e que resultou na queda da AIG).
b)O Principio 2 visa transformar a indústria de seguros como um motor para a difusão da sustentabilidade em função de sua importante atuação como financiador ou compartilhador do risco. Todos querem se sentir e estar seguros. Destaca-se entre os parceiros, as corretoras de seguro, que também deverão assumir todos os PSS, caso contrário, por serem intermediários no processo e serem conceitualmente empresas consultivas para os clientes, o PSS não irá efetivamente se tornar realidade.
c)O Princípio 1 é o alicerce. É sobre ele que demandará a inclusão das questões ASG em toda a subscrição, desde o conhecimento e avaliação do risco, até as recomendações para aceitação do risco e precificação. Além disso, como comentado antes, temos a gestão de oportunidades com desenvolvimento de novos produtos para a base da pirâmide socioeconômica e produtos para os novos desafios ambientais.
Mas vamos voltar ao workshop.
Foi bom saber das iniciativas e ações das seguradoras e qual o status atual de atendimento do mercado ao PSS. Também foi interessante saber que já há 8 circulares SUSEP em discussão para microsseguros.
A iniciativa das seguradoras e do CNSEG é bem válida, mas acho que foi unânime o entendimento que estamos sim atrasados no assunto, quando olhamos para as instituições bancárias com sua Basiléia I, II e III, Princípios do Equador, PRI, e assim por diante. Também é consenso que a sustentabilidade não é mais assunto paralelo, faz parte da sobrevivência organizacional, mas o desenvolviemtno e difusão de produtos mais sustentáveis em seguros ainda é visto como uma incerteza do tipo “ quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”, isto é, “o mercado segurador não desenvolve produtos sustentáveis porque os consumidores não demandam ou os consumidores não demandam porque o mercado segurador não difunde e desenvolve produtos sustentáveis?”
Um outro reconhecimento comum é que as Seguradoras nacionais não possuem suficiente histórico de sinistralidades e modelos causa / consequência para uma efetiva gestão dos riscos, algo que é bem comum hoje no mercado ressegurador principalmente pela Swiss-Re e Munich-Re. Isso é um problema pois a consolidação de dados e informações é parte fundamental da redução de incertezas, cerne da gestão de riscos de qualquer organização que segue os padrões mais comuns tipo COSO 2, Basiléia, ISO31000, ...
Bom... Ocorreram palestra sobre o aumento de as catástrofes climáticas, tentando correlacionar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e urbanização com os natural hazards, palestra sobre o PRI e no final uma mesa de debate com executivos de alta patente de seguradoras (SulAmerica, Bradesco Seguros e Previdência, Itaú XL, HSBC). O debate concentrou-se mais em discussões referente ao investimento do patrimônio financeiro das seguradoras que deveria seguro o PRI, ações e produtos existentes visando redução do risco.
Como um primeiro workshop podemos dizer que foi satisfatório, mas sinto falta efetivamente de um trabalho mais direcionado ao Princípio 1, não apenas com ações visando redução do risco, mas também com ações buscando novas oportunidades. Emprevidência e Saúde comentou-se sobre ações consultivas de bem estar visando redução de sinistralidade apesar do aumento da longevidade, porém não houve muito destaque para a questão de inclusão social no ramos elementares com microsseguros, seguros “verdes” para crédito de carbono, projetos MDL, construções sustentáveis e tecnologias mais limpas, lembrando que muitas vezes estes dois últimos envolvem CAPEX maiores e projetos site-specific comuma série de know-how que em caso de sinistro geraria uma série de problemas para reposição. Também não ficou respondida claramente a questão de como as seguradoras irão beneficiar clientes com boa gestão socioambiental.
Em relação ao posicionamento de ecoeficiência das seguradoras, houve críticas sobre isso, como se fossem um marketing verde,. Eu não considero válida esta critica, o próprio modelo de geração e valor de Stuart-Hart, trabalha com prevenção da poluição no seu quadrante “dentro da organização nos dias atuais”. Temos que arrumar a casa antes de vender sustentabilidade.
Acho que uma lição de casa final também deveria ser: Precisamos entender melhor o que são os novos desafios da sustentabilidade e reconhecer os riscos e oportunidades. É possível notar que ainda há muito desconhecimento na relação causa efeito de alguns desses desafios para os produtos de seguros. Exemplo, como as mudanças climáticas podem interferir no aumento de sinistralidade do Saúde com epidemias pela proliferação de mosquitos, ou com inundações e alagamentos favorecendo a disseminação de doenças, somando-se ainda a exposição de perdas pelo aumento de vendavais queda de raio e chuvas.
Outra questão para não se esquecer, mas deve ser advertido, construções sustentáveis normalmente geram maior vulnerabilidade para o risco incêndio, por meio de materiais de construção renováveis (em geral orgânicos combustíveis) e perda de compartimentações, isso faz com que a taxa do seguro patrimonial aumente apesar de você investir em uma instalação mais sustentável.
São Paulo, 03 de fevereiro de 2012 MARFRIG - aspectos da comunicação de crises de um típico acidente de segurança de processo
Por Alexandre Yokote
Poderíamos usar este espaço para uma discussão quanto aos aspectos técnicos do acidente ou mesmo comentar sobre o impacto financeiro. Mas já há muito disso em outros canais, vou portanto agregar pouco.
A seguir rapidamente comento sobre o ocorrido e incluo discussões quanto a segurança de processo e impacto nas bolsas.
1)Evento
Formação de nuvem tóxica decorrente de vazamento ou reação entre produtos químicos durante descarga de caminhão. Resultado: 4 fatalidades e inúmeros outros funcionários intoxicados.
2)Segurança de Processo
Não está claro ou publicamente informado se foi ácido dicloro propiônico ou o produto CORAMIN (N,N-diethylpyridine-3-carboxamide - CAS 59-26-7), se houve reação, explosão, mas houve um nuvem tóxica.
A questão típica de Process Safety que temos que acompanhar neste caso: os riscos químicos eram conhecidos? Conhecia-se as incompatibilidades com outros produtos no local, ou mesmo com água? O produto recebido estava mesmo correto, havia uma inspeção do produto antes da descarga? Se o risco era conhecido, o cenário estava no plano de emergência? Se foi descarga em tanque errado, como se deu isso? Não havia supervisão, instrução sinalização?
Por fim, o produto era mesmo necessário? Não há outras opções mais inerentemente seguras?
Há uma série de outras questões cujas respostas devemos monitorar para que não seja mais um caso que associem com o chamado erro humano!
3)Impacto financeiro
Como todo acidente maior, o evento gera uma interrupção nas operações e posteriormente ainda teremos a questão de limpeza do local (clean up). Segundo a assessoria da empresa, os trabalhos no frigorífico não foram prejudicados por conta do vazamento e seguem normalmente. Apenas a área do curtume, que fica a cerca de 500 metros do frigorífico, continua isolada para que os procedimentos técnicos para o retorno das atividades sejam feitos.
Sabemos que as licenças ambientais estavam em dia, mas não a AVCB. Após o acidente, a Polícia Militar Ambiental (PMA) aplicou uma multa administrativa de R$ 1 milhão, devido à poluição causada pelo gás, que ainda pode subir para R$ 50 milhões.
Na data, as ações MRFG3 caíram mais de 1,7%, na prática, nada comparável à queda recorde em agosto de 2011 (quase 50% no mês e com 27% em um único dia), quando influenciado pelo prejuízo de 90 milhões reportado para o 2° trimestre de 2011 em função das altas dos insumos, mas principalmente pela saída do grupo GWI investimentos.
4)Comunicação de crises
O que gostaria de destacar é a comunicação de crises. Vejam os dois comunicados emitidos (disponível no site na Marfrig e da BMFBovespa):
(01/02) MARFRIG (MRFG-NM) - Esclarece acidente no curtume de Bataguassu (MS) DRI: Ricardo Florence dos Santos
A empresa enviou o seguinte comunicado:
Sao Paulo, 31 de Janeiro de 2012 - A Marfrig Alimentos S.A. (BM&FBOVESPA: MRFG3, ADR nivel 1: MRTTY) informa aos seus acionistas e ao mercado em geral que, o acidente nesta manha envolvendo a unidade de curtume no municipio de Bataguassu (MS) foi controlado pelo Corpo de Bombeiros. O curtume esta isolado para pericia tecnica, nao ha qualquer risco de intoxicacao e a unidade conta com seguro contra acidentes.
A causa do acidente esta sendo apurada pela policia tecnica e informacoes preliminares indicam que houve reacao quimica no descarregamento de insumos realizado por uma empresa terceirizada. A equipe local da empresa esta empenhada na prestacao de atendimento aos funcionarios atingidos e suas familias.
A unidade frigorifica de abate e processamento de carne bovina de Bataguassu, proxima ao curtume, nao foi atingida pelo acidente e opera normalmente.
*****
Mensagem da Presidência do Grupo Marfrig sobre o acidente no curtume de Bataguassu.
31/1/2012
Em nome da diretoria e de todos os funcionários da Marfrig lamento profundamente comunicar a ocorrência de um acidente nesta terça-feira em nosso curtume de Bataguassu (MS) durante o descarregamento de produtos químicos realizado por uma empresa terceirizada e que causou a intoxicação de aproximadamente 20 colaboradores.
Por infortúnio, quatro colaboradores não resistiram e vieram a óbito. A Diretoria da Marfrig expressa o seu mais profundo pesar pelo ocorrido e segue prestando todo o suporte às famílias das vítimas.
Outros 3 colaboradores foram transferidos para tratamento na Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente (SP) e encontram-se neste momento em situação estável, conforme boletim médico expedido por este hospital.
Toda a nossa equipe está empenhada na prestação de atendimento aos nossos colaboradores e às suas famílias.
Marcos Antonio Molina dos Santos
CEO & Chairman
Grupo Marfrig
*****
A primeira, direcionada aos acionistas e mercado, dá um foco mairo à interrupção dos negócios e perda financeira, comentando sobre o seguro e a continuidade de operação da parte frigorífica. A segunda, direcionada à comunidade, dá destaque à assistência prestada às vítimias e familiares.
Claramente conseguimos ver comuncações de crise diferentes conforme o público alvo.
Um única crítica porém eu direcionado pelo fato de destacarem empresa terceirizada, prinicpalmente no caso da comunicação ao público em geral, vejam que a proximidade com a palavra causou pode direcionar inconscientemente os leitores a correlacionar a causa do evento com uma culpa à transportadora.
São Paulo, 30 de janeiro de 2012 Nuvem pesada continua sobre JIRAU!
Por Alexandre Yokote
Não podemos negligenciar a importância socioeconômica da Usina de Jirau que será uma das maiores hidrelétricas do Brasil, mas os riscos que se manifestaram nos últimos 12 meses são preocupantes, mas uma boa experiência para as próximas grandes obras.
Há quase 1 ano atrás assistimos à greve e revolta de operários ligados à obra que resultou em semanas de interrupção, danos patrimoniais e fortes ataques à reputação do Consórcio Energia Sustentável do Brasil (ENERSUS) responsável pela construção, manutenção, operação e venda da energia a ser gerada pela usina de Jirau. Indiretamente foram afetadas as empresas que fazem parte do consórcio: GDF-Suez, Eletrosul, Chesf e Camargo Corrêa.
O problema é que passado os meses, pelo menos no mínimo outros 3 riscos de manifestaram em Jirau:
1)Aumento da cota de 70,5 para 71,3m do reservatório da Usina de Santo Antônio – que envolveria tanto perdas da ordem de 90 MW para Jirau quanto um alegado risco à integridade da barragem da Usina de Jirau.
2)Indefinição quanto ao pagamento da indenização em função das perdas pelo evento de revolta de março de 2011. As seguradoras e resseguradoras não chegam a um acordo como segurado.
3)Empreiteira subcontratada pela ENERSUS para obras da Usina de Jirau entra na lista suja de trabalho escravo.
Do fim de 2011 para cá, os dois último ganharam destaque.
Na última semana saiu que o assunto de seguros será discutido em arbitragem em Londres, pois as resseguradoras e seguradoras não chegaram ao acordo para pagar estimado de 400 milhões a 1,5 bilhões de reais em perdas, além de ainda haver por trás sérias discussões quanto às cláusulas das coberturas, o ponto central seria de que não se tinha cobertura para danos originados por funcionários. A própria questão da arbitragem internacional ainda é discutida, pois o segurado não aceita esta questão, levantando a questão da própria autonomia do país para julgar isso, já que trata-se de um evento nacional de um empreendimento nacional. Seria interessante saber o que a corretora de seguros por trás disso está fazendo, já que seria o prestador de serviço que intermediou as contratações de seguro.
Também comento rapidamente a questão da construtora presente na lista suja de trabalho escravo. Na mídia muito se deu destaque colocando a Usina em obras de Jirau, como uma contratante de empreiteira listada. A construtora em questão (BS), falida, não era responsável pela obra da USINA, mas sim por casas de um distrito de reassentamento, ou seja, uma obra secundária, pequena em relação à construção da casa de força e barragem, mas mesmo assim foi a reputação do Consórcio Energia Sustentável do Brasil (ENERSUS) e a Usina de Jirau que mais sofreram. Numa abordagem de ciclo de vida, cada vez mais estamos tendo que abranger no espaço e tempo o nosso monitoramento socioambiental sobre a cadeia produtiva.
São Paulo, 27 de janeiro de 2012 Risco Estratégico, Político ou Financeiro?
Por Alexandre Yokote
Esta semana saiu a notícia sobre a VALE ter perdido processos, na esfera administrativa, relativos ao pagamento de imposto de renda sobre lucros no exterior, no valor de R$ 9,8 bilhões, mais juros e multa. Similarmente ocorreu no final de novembro passado com R$ 25 bilhões por tributos sobre lucros das coligadas e controladas da empresa no exterior (75% de multa sobre valores devidos)
"Vale sobre pendências tributárias
Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2012 A Vale S.A. (Vale) informa que foram proferidas, na esfera administrativa, decisões desfavoráveis em processos concernentes a imposto de renda sobre lucros no exterior, cujo montante é de R$ 9,8 bilhões, acrescidos de juros e multa. A Vale apresentará os recursos necessários nas instâncias administrativas e judiciais superiores, com o objetivo de suspender a exigibilidade dos valores envolvidos, até que o julgamento do mérito apresentado pela Vale ocorra.
Vale sobre processos judiciais
Rio de Janeiro, 30 de novembro de 2011 A Vale S.A. (Vale) esclarece que a decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 2a Região foi proferida em Embargos de Declaração (referentes a decisão divulgada em press release divulgado pela Vale em 29 de março de 2011), cujo acordão nos foi dado ciência na tarde de 28 de novembro de 2011 e a matéria relativa a lucros no exterior não está definida, vez que ainda será submetida ao STJ Superior Tribunal de Justiça e ao STF Supremo Tribunal Federal.
Esclarece, ainda, que os débitos relativos a esse assunto são objeto de autos de infração atualmente discutidos na esfera administrativa, nos quais foram proferidas decisões recentes favoráveis à Vale e que a decisão judicial não produz efeitos diretos sobre esses valores, não havendo, portanto, impacto econômico e financeiro imediato.
O quanto estas penalidades impactam financeiramente a companhia? Segundo a mídia, os investidores ainda olham com cautela o ocorrido, aguardando novas decisões jurídicas. Pode não ter sido um acidente como o da BP no Golfo do México ou o afundamento da P36, ou mesmo uma decisão inadequada sobre derivativos, mas o montante de penalidade potencial é financeiramente catastrófico.
Tomando por base o lucro líquido da companhia:
·2008: R$21,3 bilhões
·2009: R$10,3 bilhões
·2010: R$30,1 bilhões
·2012 1º ao 3° trimestre: R$29,5 bilhões
Podemos notar que o lucro líquido de um ano iria por água abaixo. Uma perda equivalente ao custo da construção da UHE de Belo Monte e da UHE Santo Antônio juntas.
O valor é maior do que a arrecadação do IRPF de 2011 e maior do que a arrecadação pelo IPI.
A questão ainda não muito pública é como se chegou a isso?
Se foi ou não decorrente de uma tomada de decisão (Estratégico) diretiva da VALE. Se existe ou não uma jurisprudência, ou uma nova interpretação nas regulamentações. Foram gaps na regulamentação tributária? Contradições, dupla tributação?... Vamos ter que aguardas as cenas do próximo capítulo.
Com certeza isso é um risco associado à globalização.
Em um cenário que vivemos nos últimos anos com o crescimento das empresas nacionais, muito das quais buscando não apenas vendas ao mercado externo, mas também operações em outros países, não apenas devemos olhar para o risco político comuns aos países de destino (consulte por exemplo The Handbook of Country Risk), mas também nos países de origem.
São Paulo, 23 de janeiro de 2012 World Economic Forum's Global Risk 2012
Por Alexandre Yokote
Recentemente foi lançada a versão 2012 do relatório de pesquisa de Riscos Globais desenvolvido pela Rede de Resposta ao Risco do Fórum Econômico Mundial (WEF) em colaboração com a corretora Marsh, as instituições financeiras Swiss-Re e Zurich e o Warton Center for Risk Management da Universidade da Pensilvânia.
Esta pesquisa foi feita com 469 experts em diferentes setores, examinando 50 riscos dividido em 5 categorias (Econômico, Ambiental, Social, Geopolítico e Tecnológico). O relatório de 2011 concluía sobre a necessidade maior de conhecer as interconexões dos riscos, dessa forma o grande diferencial desta pesquisa é o caráter holístico da análise do risco, digo isso pois a pesquisa foca mais nas interações entre os riscos do que na singularidade de um efeito de risco (Em 2011, tinha mais foco nas singularidades e na questão do risco percebido). Destacam 5 riscos de grande importância sistêmica:
·Desequilíbrios fiscais crônicos
·Emissões de gases de efeito estufa
·Falha da Governança Global
·Crescimento populacional insustentável
·Falha de sistemas críticos
Claramente se nota que a Crise Europeia se repercute nas preocupações quanto aos desequilíbrios ficais e na falha da Governança Global. No caso da falha de sistema crítico o melhor exemplo foi a questão das Usinas Nucleares em Fukushima.
Outro ponto destacado são 4 riscos que mais favorecem as interconexões: 1) Severa disparidade de renda, 2) Grande falha financeira sistêmica, 3) Consequências negativas imprevistas de regulamentações e 4) Volatilidade extrema de preços na energia e agricultura.
Além disso, os riscos são olhados sobre um escopo temporal de 10 anos e de efeitos sobre 3 grandes contexto: a) Distopia (visão de um mundo difícil, sem esperança, o oposto de uma visão utópica) que está diretamente associados aos riscos sociais e geopolíticos, b) Proteção insuficiente que está ligada às tecnologias emergentes, interdependência financeira e os limites ambientais do planeta e por fim c) O lados obscuros da conectividades, que apesar do seu lado bom também traz grandes ameaças cibernéticas. Para este último em especial citamos, a influência da conectividade sobre às derrubadas de poder no oriente médio, o caso do Wikileaks, além da fraudes bilionárias e exposição de celebridades.
Apenas por curiosidade apresentamos como ficou o ranking de riscos em função combinada de probabilidade e impacto:
O relatório apresenta que a pesquisa resultou em 3 recomendações principais:
a)Os Tomadores de decisãoprecisammelhorar a compreensãodos incentivosque irãomelhorar a colaboraçãoem respostaaos riscos globais.
b)Confiança, oufalta de confiança,é percebido comoum fator crucial naforma como os riscospodem se manifestar. Em particular, isto serefere aconfiança,ou a falta dela, nos líderes, nos sistemas que garantem a segurançapública enas ferramentasde comunicação queestãorevolucionando a forma comocompartilhamosinformações.
c)Comunicação epartilha de informaçãosobre os riscosdevem ser melhorados, introduzindo maior transparênciasobre a incertezae transmitindoao públicode uma forma efetiva.
De nossa parte recomendamos também uma consulta no relatório de 2011 e no Barômetro dos riscos disponibilizado em: http://riskreport.weforum.org/barometers-2011.pdf
São Paulo, 18 de janeiro de 2012 Naufrágio do Concordia - Erro humano? por Alexandre Yokote
Reportagens nos últimos dias, tanto na TV quanto em jornais, comentam que o tempo está ficando escuro sobre o capitão Schettino:
A companhia proprietária da embarcação, Costa Cruzeiros, admitiu que houve "erro humano" e que o capitão, Francesco Schettino, não respeitou o regulamento, aproximando-se até 150 metros da costa. Schettino é acusado de homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar), naufrágio e abandono do navio, crimes pelos quais pode ser condenado a até 15 anos de prisão.
Este caso que já conta com mais de 10 fatalidades, perdas de milhões associados ao casco do navio, indenizações aos passageiros que podem chegar na casa do bilhão de euros e um potencial dano ambiental pelo combustível, está sendo considerado como um dos maiores desastres financeiros para o transporte marítimo, e toda a culpa, mesmo sem investigação, está sendo aplicada ao capitão.
Dentro da gestão de risco, apenas delegar a culpa ao comportamento humano é coisa do passado. Antes de tudo precisamos saber se os riscos eram conhecidos, entendidos e geridos. Os riscos estão associados ao conceito de perigo, a própria água do mar representa um perigo neste contexto.
A rocha existia, a água do mar existia, pessoas existiam, o frio é conhecido, a capacidade e comportamento humano são conhecidos, será que os riscos eram conhecidos?
Normalmente os riscos elevados em função de comportamento humano são mapeados, inclusive em função da própria experiência om outros casos de acidentes com embarcações em alto mar, tanto é que há requisitos para ser capitão, treinamentos, cartas de navegação, instrumentações, sonar, planos de emergência, e ......
Se foi um ato lícito ou ilícito, se foi intencional ou não, não é o primordial na gestão de riscos. O fundamental é: pelo menos os riscos eram conhecidos e entendidos? Se ficar caracterizada uma falha do capitão, não podemos parar por aí, devemos nos perguntar por que ocorreu a falha. Se foi intencional, o que levou o capitão a tomar esta decisão?
Um exemplo clássico é quando evidenciamos em auditoria um caso de uso inadequado de EPI. Será que o problema foi o comportamento do funcionário ou então o desconhecimento dele para o risco. Essa pergunta é que nos leva a repensar melhor os controles dos riscos e desenvolver EPC e processos inerentemente seguros.
São Paulo, 16 de janeiro de 2012 Naufrágio do Concordia - Despreparo em caso de uma emergência? por Alexandre Yokote
Acabamos de assistir ao naufrágio de um navio cruzeiro (Concordia) na costa italiana após colisão com uma rocha. Mesmo com o histórico de similaridades, por exemplo com o Titanic, parece que faltou experiência ou reconhecimento do risco. Relatos em mídia informam sobre o caos que se formou nos instantes após a colisão, dentre os quais, falta de coletes, comunicações atrasadas e equivocadas por tripulantes, brigas e tumultos, desespero, falta de orientação e assim por diante.
Esses navios, como outras embarcações de grande porte, normalmente possuem plano de emergência que descreve os procedimentos, responsabilidades e recursos em caso de um incidente, dimensionados para a quantidade de tripulantes e passageiros esperado.
Não estamos aqui discutindo a questão do Concordia ter ou não um Plano de Emergência, mas sim ao fato das partes envolvidas conhecer os riscos e as ações de emergência em caso de um incidente.
Um relato comentou que demorou uma hora para a evacuação da embarcação. Quando há simulados nos prédios comerciais, às vezes a brigada comenta sobre o tempo de abandono do prédio, 5 ou 15 minutos, qual o máximo admissível? Primeiro, o tempo admissível para o abandono é variável de caso a caso em função das características que propiciam a propagação do fogo, fluxo de fumaça, quantidade de residentes fixos e variável do estabelecimento, isolamento da rota de fuga, dentre outros. O único problema é que normalmente não somo preparados para diagnosticar se o tempo está adequado para o nosso caso e portanto não conseguimos concluir satisfatoriamente.
No projeto dos prédios e outros recintos, inclusive as embarcações, são levados em consideração a questão da emergência e tempo de fuga, mas nem sempre isso é repassado a quem irá residir, trabalhar ou usufruir destes estabelecimentos.
Outro problema que normalmente presenciamos são as alterações em layout e obstruções de passagens, mudando o resultado de todos os cálculos de mecânica de fluidos na modelagem de fuga. Alerta-se também ao fato de em alguns casos se constatarem a falta da quantidade adequada de recursos de emergência (exemplo, máscaras de fuga em uma planta fabril com gás de alta toxicidade, colete salva vidas, botes e assim por diante) ou falta de reposição ou de manutenção.
Por último e mais comum estão a falta de treinamento e simulado, além da falta de comunicação ou falha de comunicação sobre o que fazer em caso de uma emergência aos funcionários e demais público exposto. É natural que as pessoas expostas ao risco entrem em desespero quando estão com risco de morte, por isso a comunicação e treinamento ajudam na preparação e são cruciais.
Finalizamos aqui com esta recomendação: tenha um plano de emergência e acima de tudo faça a difusão, conscientização etreinamento quanto às responsabilidades, ou seja, tenha o documento e faça a implantação, não o deixe numa gaveta. Os planos de emergência são provas em caso de omissão e negligência numa futura investigação.
São Paulo, 08 de janeiro de 2012 Stephen W. Hawking e a Sustentabilidade por Alexandre Yokote
Seguindo as comemorações do 70º aniversário de Stephen W. Hawking (nascido em 08 de janeiro de 1942) transcrevo aqui um trecho de texto escrito por mim em 2002 onde referencio esta grande personalidade da ciência e exemplo de superação. O contexto do texto era a visão sistêmica como princípio inerente ao desenvolvimento sustentável.
(...) No cotidiano, muitos indivíduos levantam a necessidade de conhecer as “leis do universo e da vida”. Um exemplo clássico pode ser encontrado na introdução de Carl Sagan no best-seller “Uma breve história do tempo” do renomado físico Stephen W. Hawking, esta introdução é iniciada com a argumentação: “Em nosso cotidiano não entendemos quase nada do mundo. Pouco pensamos no mecanismo que gera a luz do Sol e possibilita a vida;(...) nos átomos de que somos feitos e de cuja estabilidade dependemos fundamentalmente.(...)” .
(...) como reforço à preocupação com a consciência do desenvolvimento sustentável recorre-se a Hawking (2001 – O universo numa casca de noz). O já citado físico apresenta nessa referência um comparativo (diretamente proporcional) entre o crescimento da população, número de artigos científicos publicado e consumo de eletricidade. Discute ainda que nessa taxa de crescimento “em 2600 as pessoas ficarão ombro a ombro, e o consumo de eletricidade deixará a Terra incandescente”. Além disso, seria impossível um profissional ler todos os artigos científicos recentemente publicados na sua área. O problema hoje é filtrar informações. O autor, apresentadas estas discussões, argumenta que alguns pessimistas dizem que quando uma civilização atinge o nosso estágio de desenvolvimento, torna-se instável e destrói a si mesma, porém Hawking não acredita nessa visão, mas pelo fato de ter citado tais conclusões pessimistas, indica uma possibilidade. Num outro ponto questiona que a inteligência (admitida como conhecimento científico) pode não ser consequência inevitável da evolução e requisito para a sobrevivência.
A produção científica deve deixar de ser avaliada pela quantidade de publicações produzidas e passar a ser considerada a qualidade, usualmente observada pela aplicabilidade e quantidade de citações.
Em um artigo publicado pela revista Nature, “What cannot be said in science” de Greene (1997) destaco que a educação científica está ficando muito especializada, um graduando é incapaz de discutir fenômenos simples de uma área da ciência diferente da sua e interligar as inúmeras teorias do universo. Hoje as empresas possuem muitos especialistas voltados para áreas específicas e poucos indivíduos estão capacitados com uma visão científica global e unificada do mundo (o todo e suas interconexões).
No passado o conhecimento científico e o acesso à educação científica eram menores, mas aqueles que tinham acesso ao conhecimento sempre buscavam uma visão interdisciplinar. Muitos cientistas da história, motivados pela sede de conhecer a vida, eram ao mesmo tempo artistas, filósofos, astrônomos, físicos, biólogos, engenheiros e médicos. Na atualidade com o grande volume de conhecimentos científicos é impossível um profissional conhecer profundamente toda a ciência, porém a visualização das inter-relações entre as áreas científicas não requer profundo conhecimento, requer apenas uma motivação em se conhecer os fenômenos aos quais estamos submetidos em nosso dia a dia.
2011
São Paulo, 22 de dezembro de 2011 Boas festas e um próspero 2012
Nós
da YK RISK
desejamos a
todos um feliz natal
e um próspero ano novo.
Que 2012 seja repleto de paz e harmonia.
Esperamos que o ano internacional das florestas não seja esquecido e que 2012 tenhamos energia sustentável para todos e o crescimento das cooperativas em prol da redução da pobreza, geração de emprego e inclusão social.
São Paulo, 14 de dezembro de 2011 E o caso CHEVRON continua !
por Alexandre Yokote
Nesta semana uma reportagem diferente e interessante no Valor Econômico criticava a falha da gestão de crises da Chevron ao expor seu presidente, o americano George Buck, perante a Câmara dos Deputados. Sabemos que um dos princípios da Gestão de Crises é que as comunicações sejam feitas pela alta direção da companhia e que claramente este esteja preparado para se comunicar perante a imprensa e autoridades e em alguns casos diretamente ao público. Porém com toda essa globalização esquecemos que a cúpula da empresa pode ser composta por estrangeiros com idiomas diferentes da parte a quem deve se comunicar. No caso, essa foi a falha, pois toda discussão teve que ser intermediada por um tradutor.
Em um momento de crise, quando os ânimos estão acirrados e outros estressados e cansados, essa comunicação intermediada cria novas animosidades e psicologicamente afeta os entendimentos e percepções.
Hoje dia 14 a poucas horas veio ao conhecimento público que o Ministério Público Federal (MPF) em Campos (RJ) abriu uma ação civil pública contra a petroleira norte-americana Chevron em que pede uma indenização de R$20 bilhões por danos ambientais e sociais causados pelo vazamento de petróleo na bacia de Campos, no dia 7 de novembro, além disso pediu liminar suspendendo as operações da companhia e da operadora de plataformas Transocean no Brasil, sob pena diária de R$500 milhões.
Como dizíamos algumas semanas atrás nesse campo de newsletter, tomando, por exemplo, o caso da BP (Deepwater Horizon), 50 milhões de reais em multa ainda era só o começo.
São Paulo, 08 de dezembro de 2011
Nem bem passou o caso Chevron e uma nova ameaça no mar surge na pauta
por Alexandre Yokote
O caso agora é o risco de rompimento da embarcação Vale Beijing carregada com 260 mil toneladas de minério de ferro (a capacidade é de 400 mil tonelada de minério).
De uma forma bem resumida, trata-se de uma embarcação arrendada pela Vale, dentro de um megaprojeto logístico (US$ 8 bilhões) que envolve outras 34 embarcações (supernavios) para escoamento do minério de ferro brasileiro extraído pela Vale para entrega na Ásia.
A embarcação por si só representa um patrimônio de US$110 milhões e a carga é estimada em US$44 milhões.
Em função do risco, houve a interrupção de carregamento de minério no Porto, representando uma perda momentânea de US$127 milhões.
Essa perda concretizada é insignificante para o porte de negócios da Vale, tanto que analistas de mercado consideram que o fato por si não é responsável pela queda das cotações da Vale no mercado, mas um fracasso do megaprojeto impactando as negociações de novos contratos de venda já começa a gerar uma coceira na orelha dos investidores.
Pelo fato do vazamento de minério não ter se manifestado, não houve danos ambientais. Porém, juntamente com o tradicional risco de rompimento de uma barragem de rejeito, o rompimento súbito do casco de um desses supernavios com minério de ferro pode ser considerado um dos principais riscos catastróficos em termos ambientais da Vale.
Segundo reportagem do Jornal o Estado de São Paulo, o problema ambiental não seria decorrente da toxicidade, mas em função da quantidade (quem faz o veneno é a dose) que poderia vazar , poderia ocorrer um soterramento da vida marinha local e entupimento das guelras de peixes menores . Uma parte do ferro presente poderia raptar nutrientes como magnésio e cálcio, afetando os fitoplânctons.
De qualquer forma, a cadeia alimentar marinha, dos fitoplânctions aos grandes predadores, seria seriamente impactada.
Provavelmente um rompimento resultaria em multa similar à da Chevron (R$ 50 milhões), mas a incerteza ainda sobre a potencial dimensão dos danos ambientais e socioeconômicos de 200 a 400 mil toneladas de minério despejados subitamente no mar poderia resultar em grandes volumes financeiros para contingência e remediação e indenizações.
Acredito que a Vale possua um Comitê de Crises preparado para ser acionado nesses casos, mas qual a provisão financeira para isso? Em quanto será o seguro de responsabilidade civil dessas embarcações? Será que cobrem também o cleanup pelos danos ambientais?
São Paulo, 25 de novembro de 2011 Caso Chevron e BP. A face financeira?
por Alexandre Yokote
Estamos acompanhando nos últimos dias o caso de vazamento da Chevron no Campo de Frade (Nordeste do RJ).
Pegando pelo lado financeiro, uma coisa é falar sobre multas e outra é a indenização e outra ainda é a perda do valor da marca.
Para se ter uma ideia, atualmente o montante de indenizações pagas e aprovadas no caso da BP para indivíduos e empresas chegam à US$5.950.032.818,00 ou quase 12 bilhões de reais, 1 anos e meio depois do evento.
O que é uma multa de 50 a 260 milhões (como anunciado na mídia para o caso Chevron) frente aos danos ambientais, sociais e econômicos das áreas afetadas?
Nos EUA, por lei de 1990 a multa tem o limite de 75 milhões de dólares, após o caso BP houve inclusive tentativas de votar no Congresso a revisão do limite.
Por fim, faça um exercício fazendo um levantamento histórico do valor das ações negociadas na bolsa de valores NYSE, da BP e empresas concorrentes. Faça também uma avaliação frente ao valor do barril de petróleo.
Na análise você irá verificar que a curva das empresas seguem a do barril de petróleo, mas a variação máx / mín da BP foi muito maior, principalmente com a crise que decorreu do evento no Golfo do México. Chegou a perdar 80 bilhões de dólares de valor de mercado.
Segundo levantamento do Wall Street Journal, dede o incidente, a Chevron já perdeu 14,6 bilhões de dólares de valor de mercado ou 7% de queda das ações, apesar de suas operações no Brasil representar apenas 1% da sua produção de petróleo e 0,7% do seu lucro líquido.
São Paulo, 10 de novembro de 2011
Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho - PNSST
Transcrevemos aqui o texto na íntegra da PNSST, em próximas edições vamos iniciar comentários sobre a repercussão dela para a iniciativa privada:
DECRETO Nº- 7.602, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2011
Dispõe sobre a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho - PNSST.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o disposto no artigo 4 da Convenção no 155, da Organização Internacional do Trabalho, promulgada pelo Decreto no
1.254, de 29 de setembro de 1994,
D E C R E T A :
Art. 1º Este Decreto dispõe sobre a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho - PNSST, na forma do Anexo.
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação. Brasília, 7 de novembro de 2011; 190o da Independência e 123º da República.
DILMA ROUSSEFF
Carlos Lupi
Alexandre Rocha Santos Padilha
Garibaldi Alves Filho
ANEXO
POLÍTICA NACIONAL DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO
OBJETIVO E PRINCÍPIOS
I - A Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho - PNSST tem por objetivos a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador e a prevenção de acidentes e de danos à saúde advindos, relacionados ao trabalho ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação ou redução dos riscos nos ambientes de trabalho;
II - A PNSST tem por princípios:
a) universalidade;
b) prevenção;
c) precedência das ações de promoção, proteção e prevenção sobre as de assistência, reabilitação e reparação;
d) diálogo social; e
e) integralidade;
III - Para o alcance de seu objetivo a PNSST deverá ser implementada por meio da articulação continuada das ações de governo no campo das relações de trabalho, produção, consumo, ambiente e saúde, com a participação voluntária das organizações representativas de trabalhadores e empregadores;
DIRETRIZES
IV - As ações no âmbito da PNSST devem constar do Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho e desenvolver-se de acordo com as seguintes diretrizes:
a) inclusão de todos trabalhadores brasileiros no sistema nacional de promoção e proteção da saúde;
b) harmonização da legislação e a articulação das ações de promoção, proteção, prevenção, assistência, reabilitação e reparação da saúde do trabalhador;
c) adoção de medidas especiais para atividades laborais de alto risco;
d) estruturação de rede integrada de informações em saúde do trabalhador;
e) promoção da implantação de sistemas e programas de gestão da segurança e saúde nos locais de trabalho;
f) reestruturação da formação em saúde do trabalhador e em segurança no trabalho e o estímulo à capacitação e à educação continuada de trabalhadores; e
g) promoção de agenda integrada de estudos e pesquisas em segurança e saúde no trabalho;
RESPONSABILIDADES NO ÂMBITO DA PNSST
V - São responsáveis pela implementação e execução da PNSST os Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social, sem prejuízo da participação de outros órgãos e instituições que atuem na área;
VI - Cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego:
a) formular e propor as diretrizes da inspeção do trabalho, bem como supervisionar e coordenar a execução das atividades relacionadas com a inspeção dos ambientes de trabalho e respectivas condições de trabalho;
b) elaborar e revisar, em modelo tripartite, as Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho;
c) participar da elaboração de programas especiais de proteção ao trabalho, assim como da formulação de novos procedimentos reguladores das relações capital-trabalho;
d) promover estudos da legislação trabalhista e correlata, no âmbito de sua competência, propondo o seu aperfeiçoamento;
e) acompanhar o cumprimento, em âmbito nacional, dos acordos e convenções ratificados pelo Governo brasileiro junto a organismos internacionais, em especial à Organização Internacional do Trabalho - OIT, nos assuntos de sua área de competência;
f) planejar, coordenar e orientar a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador; e
g) por intermédio da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho - FUNDACENTRO:
1. elaborar estudos e pesquisas pertinentes aos problemas que afetam a segurança e saúde do trabalhador;
2. produzir análises, avaliações e testes de medidas e métodos que visem à eliminação ou redução de riscos no trabalho, incluindo equipamentos de proteção coletiva e individual;
3. desenvolver e executar ações educativas sobre temas relacionados com a melhoria das condições de trabalho nos aspectos de saúde, segurança e meio ambiente do trabalho;
4. difundir informações que contribuam para a proteção e promoção da saúde do trabalhador;
5. contribuir com órgãos públicos e entidades civis para a proteção e promoção da saúde do trabalhador, incluindo a revisão e formulação de regulamentos, o planejamento e desenvolvimento de ações interinstitucionais; a realização de levantamentos para a identificação das causas de acidentes e doenças nos ambientes de trabalho; e
6. estabelecer parcerias e intercâmbios técnicos com organismos e instituições afins, nacionais e internacionais, para fortalecer a atuação institucional, capacitar os colaboradores e contribuir com a implementação de ações globais de organismos internacionais;
VII - Compete ao Ministério da Saúde:
a) fomentar a estruturação da atenção integral à saúde dos trabalhadores, envolvendo a promoção de ambientes e processos de trabalho saudáveis, o fortalecimento da vigilância de ambientes, processos e agravos relacionados ao trabalho, a assistência integral à saúde dos trabalhadores, reabilitação física e psicossocial e a adequação e ampliação da capacidade institucional;
b) definir, em conjunto com as secretarias de saúde de Estados e Municípios, normas, parâmetros e indicadores para o acompanhamento das ações de saúde do trabalhador a serem desenvolvidas no Sistema Único de Saúde, segundo os respectivos níveis de complexidade destas ações;
c) promover a revisão periódica da listagem oficial de doenças relacionadas ao trabalho;
d) contribuir para a estruturação e operacionalização da rede integrada de informações em saúde do trabalhador;
e) apoiar o desenvolvimento de estudos e pesquisas em saúde do trabalhador;
f) estimular o desenvolvimento de processos de capacitação de recursos humanos em saúde do trabalhador; e
g) promover a participação da comunidade na gestão das ações em saúde do trabalhador;
VIII - Compete ao Ministério da Previdência Social:
a) subsidiar a formulação e a proposição de diretrizes e normas relativas à interseção entre as ações de segurança e saúde no trabalho e as ações de fiscalização e reconhecimento dos benefícios previdenciários decorrentes dos riscos ambientais do trabalho;
b) coordenar, acompanhar, avaliar e supervisionar as ações do Regime Geral de Previdência Social, bem como a política direcionada aos Regimes Próprios de Previdência Social, nas áreas que guardem inter-relação com a segurança e saúde dos trabalhadores;
c) coordenar, acompanhar e supervisionar a atualização e a revisão dos Planos de Custeio e de Benefícios, relativamente a temas de sua área de competência;
d) realizar estudos, pesquisas e propor ações formativas visando ao aprimoramento da legislação e das ações do Regime Geral de Previdência Social e dos Regimes Próprios de Previdência Social, no âmbito de sua competência; e
e) por intermédio do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS:
1. realizar ações de reabilitação profissional; e
2. avaliar a incapacidade laborativa para fins de concessão de benefícios previdenciários.
GESTÃO
IX - A gestão participativa da PNSST cabe à Comissão Tripartite de Saúde e Segurança no Trabalho - CTSST que é constituída paritariamente por representantes do governo, trabalhadores e empregadores, conforme ato conjunto dos Ministros de Estado do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social.
X - Compete à CTSST:
a) acompanhar a implementação e propor a revisão periódica da PNSST, em processo de melhoria contínua;
b) estabelecer os mecanismos de validação e de controle social da PNSST;
c) elaborar, acompanhar e rever periodicamente o Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho;
d) definir e implantar formas de divulgação da PNSST e do Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, dando publicidade aos avanços e resultados obtidos; e
e) articular a rede de informações sobre SST.
XI - A gestão executiva da Política será conduzida por Comitê Executivo constituído pelos Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social; e
XII - Compete ao Comitê Executivo:
a) coordenar e supervisionar a execução da PNSST e do Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho;
b) atuar junto ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para que as propostas orçamentárias de saúde e segurança no trabalho sejam concebidas de forma integrada e articulada a partir de cada programa e respectivas ações, de modo a garantir a implementação da Política;
c) elaborar relatório anual das atividades desenvolvidas no âmbito da PNSST encaminhando-o à CTSST e à Presidência da República;
d) disponibilizar periodicamente informações sobre as ações de saúde e segurança no trabalho para conhecimento da sociedade; e
e) propor campanhas sobre Saúde e Segurança no Trabalho.
São Paulo, 04 de novembro de 2011 PAS 200 - Crisis Management. Guiddance and Good Practice - incorporando as crises latentes.
por Alexandre Yokote
Recentemente foi lançada uma especificação disponível publicamente pela British Standard Institute sobre gestão de crises: PAS 200 - Crisis management. Guidance and good practice.
Trata-se de um guia que foca em uma área da gestão de riscos que ainda hoje não possui um escopo claramente definido, visto reportagens como Crise Mundial, recall de alimentos, greve nas obras do PAC e assim por diante, todos tratando de eventos com perdas significativas. O guia destaca as diferenças entre a gestão de incidentes (usualmente trabalhada com referências como NFPA 1600 e ABNT 15999) e a gestão de crises.
Crises ainda podem ser derivadas de um incidente, mas destaca-se agora que há crises súbitas, mas principalmente crises latentes.
A crise é definida como "uma situação inerentemente anormal, instável e complexa que representa uma ameaça para os objetivos estratégicos, reputação ou a existência de uma organização." , algo que afeta o cerne, o core business da organização e nunca deve ser admitido como algo leve.
Estas características descritas, leve a gestão de crises como algo a nível estratégico da organização, sendo complementado por outros planos já conhecidos no mercado, como os planos de emergência, gerenciamento de incidentes, continuidade de negócios e comunicação de crises, cada qual atuando juntos aos diversos níveis organizacionais (operacional, tático e estratégico). O guia destaca fases de recuperação e regeneração.
Outro ponto interessante é que o guia comenta que manuais não são úteis à gestão de crises, os manuais auxiliam nas tomadas de decisão da gestão de incidentes, mas para a gestão de crises há uma capabilidade necessária em criatividade no momento de decisão. Os manuais de gestão de crises devem focar mais para o fluxo de informações do que para soluções pré-definidas. A capacidade de tomar decisões nas horas quentes e sob pressão, quebrar paradigmas e enxergar dentro de todo este ambiente as novas oportunidades é uma habilidade essencial aos gestores de crise.
Concluindo, este guia será muito importante para fechar alguns gaps da gestão de riscos residuais, principalmente pela questão das crises latentes, desta forma se integrando de forma complementar com a gestão reativa de incidentes.
São Paulo, 11 de outubro de 2011 Cultura e ações ao invés de selos e certificações
por Alexandre Yokote
Hoje, durante um evento de cadeia de valores sustentável, que fazer parte do Programa de Sustentabilidade de um grande Banco brasileiro, ao final do evento, na abertura para questões, surgiram preocupações de fornecedores quanto aos custos elevados de certificações e falta de subsídios para as mesmas e que isso resulta em aumento dos preços impactando nos indicador financeiro da negociação.
Em toda a minha história de consultor, sempre fui contra as certificações custosas de 3ª. parte, principalmente quando tratamos de pequenas e médias empresas. Sempre valorizei muito mais a cultura e as ações do que a posse de selos e certificações. É claro que as certificações, tais como a FSC, são importantes numa relação de cadeia de valores, pois aumenta a confiança e garantia de uma atuação socioambientalmente responsável, além de facilitar o monitoramento pelo consumidor.
Portanto, as certificações devem ser vistas como resultados ou metas a serem obtidas, mas antes de tudo, as pequenas empresas devem criar uma estrutura de gestão e fazer valer suas ações em sustentabilidade.
Um grande erro é desistir antes de começar, pensando que uma gestão socioambiental resulta em aumento de custos. Uma gestão socioambiental visa reduzir desperdícios, resultando em economia, portanto são gastos que informalmente devemos considerar como investimento para usufruir de oportunidades que além da economia, podem trazer uma vantagem competitiva, favorecendo o crescimento da pequena empresa.
Invista no desenvolvimento de uma consciência e na realização de ações, isto, se bem feito, trará economia no curto prazo, vantagem competitiva no médio prazo e minimização de passivos e maximização de oportunidades de crescimento no longo prazo.
São Paulo, 21 de setembro de 2011 Antigos lixões, vulnerabilidades ou oportunidades?
por Alexandre Yokote
No contexto de riscos, duas notícias dominam a semana, globalmente a questão da redução do grau de investimento (rating) da Itália e localmente as emissões de metano no shopping Center Norte (Zona Norte de São Paulo). Financeiramente é claro que a macroeconomia ganha de longe pela queda em bolsas e elevação do dólar frente aos 17 mil reais de multa diária do shopping e provável queda de consumidores, muito dos quais, associam o cenário potencial deste shopping com a explosão no Shopping de Osasco há anos atrás.
Vamos falar sobre o caso do Center Norte. Estamos de frente com um risco real em sua faceta negativa (lembrando que até pela própria ISO 31000 o risco tem duas faces, positiva e negativa). Uma das grandes jogadas é transformar uma vulnerabilidade em uma oportunidade.
A vulnerabilidade de áreas contaminadas ou antigos lixões tem afetado diversos setores, aqui em São Paulo temos legislações específicas e uma boa referência para o gerenciamento de áreas contaminadas através do Manual da Cetesb.
Deve-se deixar claro que o problema não é a contaminação e sim o desconhecimento e o gerenciamento insuficiente para reduzir o risco à saúde humana. O fato de eu ter uma área contaminada não é caso de ilegalidade ou que demande punições. Continuar a contaminar, ou não atender as etapas de investigação e qualidade de remediação conforme avaliação de riscos (esta avaliação pode inclusive determinar a não necessidade de remediação pelo risco estar abaixo dos limites de padrão seguidos pela CETESB) é que determina um posicionamento errado da Organização. Destacando até que em alguns casos as atividades de remoção ou remediação podem descompartimentar a contaminação, levando a aumento da abrangência dos danos.
De qualquer forma, no caso Center Norte, o projeto, como em outras instalações em São Paulo (inclusive públicas) contemplou a drenagem do gás metano formado pela degradação da matéria orgânica, mas as informações públicas indicam que o metano começou a seguir caminhos preferenciais brotando pelas rachaduras e dutos da instalação, o acúmulo do metano pode atingir faixas de concentração entre os Limites inferiores e superiores, propiciando uma explosão. Este é um assunto delicado para os controladores do shopping e lojistas, a mídia esta pesada em cima, deveria ser tomada uma rápida ação de gerenciamento de crise, mas nem uma nota informativa se vê na página de internet do shopping quanto às ações que estão sendo tomadas. Ficamos no aguardo para ver se conseguem transformar esta vulnerabilidade em uma oportunidade ao estabelecimento.
No passado, sabendo-se que era um lixão, poderia ser pensado em aproveitar o gás formado, reduzindo o efeito estufa (o metano tem uma equivalência de 20 vezes o gás carbônico quanto a impacto de mudanças climáticas) e gerando energia. Voltando mais atrás ainda está o problema de lixões, que não deveriam existir, pelo menos no Plano Nacional de Resíduos Sólidos em fase de consulta pública apresenta-se meta para eliminação.
Em conclusão, nunca se esqueça de considerar o uso anterior da área na avaliação da oportunidade de aquisição ou construção de um empreendimento. E considere com uma abordagem em riscos, prevendo as vulnerabilidades e gerindo elas de uma forma que sejam mitigadas ou até transformadas em pontos fortes. Também não se esqueça de avaliar em todo o escopo temporal do ciclo de vida do empreendimento, contemplando as manutenções, desativações e uso futuro da área.
São Paulo, 09 de setembro de 2011 Ecoeficiência não é um simples programa ambiental
por Alexandre Yokote
É comum vermos publicações, inclusive em relatórios de sustentabilidade, descrições sobre as ações de ecoeficiência das empresas. Normalmente as ações relatadas são de redução de aspectos ambientais ou da compensação dos impactos ambientais, além da economia (financeira) associada.
Porém no meu ponto de vista isto é um gerenciamento ambiental comum em qualquer Programam de Gestão Ambiental. Ela tem uma característica chave que a diferencia das tradicionais gestões de Prevenção da Poluição (P2) e Produção Mais Limpa (P+L) ao integrar o desempenho ambiental com o desempenho financeiro, na forma de criar valor ao invés de apenas reduzir desperdícios e por olhar para toda a Cadeia de Valores.
O prefixo “ECO” relaciona-se tanto com ECOLOGIA (conceito ambiental), quanto com ECONOMIA (conceito de criação de valores). Complementarmente, criação de valores pode ser entendida como ganhos (físico e emocional) que podem ou não ser financeiros, portanto tangíveis e intangíveis, conforme necessidade de nossas partes interessadas.
A EFICIÊNCIA é uma simples relação entre os resultados alcançados e os recursos usados (glossário ABNT).
“A ecoeficiência pode ser entendida como um nível alcançado de eficiência organizacional caracterizada pela entrega de bens e serviços com preços competitivos e que satisfazem as necessidades humanas e melhoram a qualidade de vida, ao mesmo tempo que os impactos ambientais e a intensidade de uso de recursos naturais são reduzidas a um ponto que o meio ambiente suporta em um equilíbrio dinâmico.” (adaptado de: WBCSD. Eco-Efficiency, 2002).
De modo geral podemos falar que o objetivo da ecoeficiência é gerar mais valor com menos impacto ambiental.
As ações para reduzir os impactos ambientais devem olhar para todociclo de vida dos produtos e serviços, usando o ecodesign como uma sistemática para desenvolvimento de produtos que melhor satisfazem os consumidores ao mesmo tempo que se reduzem o consumo de recursos, alteração do meio e geração de poluentes.
Faz parte também da ecoeficiência saber usar a comunicação ou governança para criar mais valor, porém uma coisa é mostrar açõese resultados ambientais e outra é mostrar ganhos (não apenas economia), principalmente financeiros, frente às ações ambientais.
Os ganhos podem ser questões de curto prazo, bem como estratégias de negócio a longo prazo, explorando produtos ambientalmente responsáveis, a responsabilidade corporativa e seu alinhamento de negócios em relação às mudanças e demandas ambientais futuras.
Abro um parêntese e cito o jogo CEO2 no portal da Seguradora Allianz. Por conhecer um pouco do mercado segurador, assumi o papel do CEO ao longo de 20 anos de uma seguradora. Entre as ações de ambientais opcionais para implementar, haviam tanto revisão de mercado, redução de gases de efeito estufa dos escritórios, quanto criar produtos de microseguros e coberturas de seguros que atendessem às novas demandas de mercado nas tecnologias mais limpas, tais como seguros performancepara crédito de carbono e energia solar, seguros para baterias automotiva de carros híbridos, descontos para green buildings, além de investimentos em energia limpa, ao mesmo tempo opções de exclusão de empresas de baixo desempenho ambiental da carteira de clientes. A seguradora era avaliada por ambientalistas, empresariado, consumidores e pesquisadores. É uma maneira interessante de conscientizar as pessoas em pensar em estratégias de ecoeficiência de modo integrado ao crescimento dos negócios.
Por fim, cito o lançamento na BMF BOVESPA do 2° ano da carteira ICO2 que na essência lista empresas do IBX50 que possuem uma governança quanto à pegada de carbono e quanto às ações frente às mudanças climáticas, só que com um diferencial interessante ao ISE. A participação provém de indicador que correlaciona a receita anual da empresa com as emissões de gases de efeito estufa.
Com a receita e as emissões, um investidor pode analisar comparativamente quanto a empresa fatura para cada tonelada de CO2 emitido, e isso poderá ser utilizado junto a outras dados na tomada de decisão sobre quais ações comprar. Acredita-se que empresas com baixa receita por tonelada de CO2, terão relativamente mais aumento de gastos no futuro em função do custo crescente da energia e portanto menor rendimento no mercado de ações. Tanto é que as cotas do Índice ICO2 consideram mais volume às empresas com mais receita com menos CO2 emitido.
Não é novidade, pois já existia a similaridade via S&P, porém se pegar, será um grande incentivo à ecoeficiência.
São Paulo, 31 de agosto de 2011 Novos riscos aos trabalhadores de obras civis
por Alexandre Yokote
Está em pauta na mídia a questão da segurança do trabalho nas obras civis. Destacando o nível de acidentes de trabalho e condições inadequadas que vão desde não conformidades em EPIs quanto NR-18 e de uma forma geral não conformidades a quase todas as NRs.
No contexto do PAC, Olímpiadas e Copa do Mundo, além do imobiliário, vivenciamos um boom de obras, o que aumentou consideravelmente a variável exposição do RISCO.
Os dados hoje são:
·Taxa de mortalidade de 23,8 por cem mil no setor de construção;
·Cai para 19,7 nas obras do PAC;
·Porém o índice formal no Brasil em todos os setores é de 9,49.
Para os operários, a falta de atenção responde por 73,39% das causas das ocorrências, seguida da falta do uso de equipamentos de proteção individual (7,49%), da falta de proteção (7,22%) e do descuido dos gestores de obras (2,41%) segundo estudo do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, 2009.
Mas sempre fica a questão: Por que ocorre a falta de atenção?
Não vou mais dissertar sobre esta questão, pois em muito, como escrevi, se discute na mídia o ciclo vicioso associado a cobrança por cronogramas e produtividade:
1.Ocorrência de incidente
2.Interrupção da frente de obra
3.Aperto de cronograma e tentativa de recuperação das perdas
4.Exigência por produtividade e sobreposição de frentes obras
5.Aumento das vulnerabilidades: população exposta e falhas de controle
6.Recomeça o ciclo de incidentes
Um agravante considerado nos últimos tempos foi a escassez de mão de obra qualificada, inclusive em percepção dos riscos.
Vamos refletir sobre os novos cenários de riscos aos trabalhadores das obras civis. Primeiro preciso complementar o contexto com as novas características do mercado:
·Globalização
·Tecnologias
·Requisitos legais e outros
·Distância de centros urbanos: Perto Hotelaria e estádios, infraestrutura de transportes. Longe infraestrutura energética e industrial
·Contratos EPCs
·Consórcio e conjunto de empreiteiras, grande quarteirização.
·Poder da mídia
·Migração da criminalidade
Cada qual puxa novos cenários de incidentes, por exemplo, a globalização trouxe conflitos culturais entre trabalhadores de diferentes nacionalidades dentro do canteiro, resultando em paralisações e atos de violência.
Grandes obras concentram 1, 5 e até mais de 20 mil operários em alta densidade demográfica quando comparado à operação do empreendimento. Uma obra de grande porte pode possuir custos fixos da ordem de alguns milhões de reais por dia, portanto qualquer conflito e paralisação é crítico quanto à integridade física e também custa caro ao empreendedor.
De forma resumida, entre os novos cenários associados aos trabalhadores pode-se listar como destaque:
·Alta rotatividade e dificuldade de retenção
·Greve
·Conflitos interpessoais por diferenças culturais e linguagem
·Crises mentais
·Falta de perspectivas (1 a 5 anos de obra)
·Sabotagem
·Epidemias, endemias e pandemias
·Atos de violência decorrentes mobilização social (invasão de MAB, CPT, MST, ...) e crimes (assalto, sequestro, dentre outros)
Atualmente o maior destaque está para as greves e principalmente àquelas que resultaram em atos de violência como foi o caso das obras de JIRAU. Apenas em greves citamos nos últimos 12 meses:
·Agosto 2010 UTE CE: 3.200 trabalhadores
·Março 2011 UHEs RO: + de 35 mil
·Abril 2011 Estaleiro BA: 2,5 mil
·Maio 2011 UTE MS: 500
·Junho 2011 Mineirão: 500
·Agosto 2011 Fábrica MS: 2 mil
·Agosto 2011 Refinaria PE: + de 35 mil
Entre as novas perguntas que os gestores de risco em obras devem fazer, apresento algumas que serão úteis para um Plano de Gestão de Crises:
·O que fazer se ocorrer uma intoxicação alimentar? O ambulatório tem recursos para atender 1.000 operários da obra?
·Se houver incêndio ou danificação de alojamentos, como vou garantir acomodação adequada para 3.000 operários?
·O que fazer na iminência de uma invasão de movimento social organizado? Como evitar o contato dos operários com os invasores?
·Como garantir o bem estar dos operários em caso de impossibilidade de saída do canteiro?
·Como atender 500 operários com dengue?
·Como instruir quanto à segurança os técnicos estrangeiros que estão montando o maquinário?
·Quais preparos podem ter para proteger os operários em caso de invasão da área do alojamento em caso assalto ao posto bancário?
São Paulo, 25 de agosto de 2011 Uma abordagem de ciclo de vida na gestão do capital humano
por Alexandre Yokote
Reflexões
O homem possui um ambiente de trabalho que está dentro do “meio ambiente”, possui relações trabalhistas de cunho social e ambiental e por fim depende do trabalho, tanto por questões econômicas para manter uma família e desenvolver os filhos, quanto, dentro do contexto da pirâmide de Maslow, ter uma auto-realização pessoal.
A fragilidade desse relacionamento homem-trabalhador com o meio ambiente compromete o equilíbrio social, ambiental e econômico. Para reforçar essa colocação temos diariamente na mídia notícias em que a baixa renda, ou melhor, a má distribuição das riquezas conduz a sociedade a procurar alternativas como moradias em favela, em que as condições de saneamento básico são precárias permitindo a proliferação de doenças e a poluição ambiental. Em continuidade, essa sociedade “marginal” (no sentido de fora do núcleo social), não consegue condições suficientes para se capacitar e melhorar financeiramente e esse ciclo vicioso se mantém de geração a geração, inclusive impedindo o desenvolvimento tecnológico.
Para reforçar um pouco mais essas colocações, solicito que o leitor tente se lembrar de casos em que um acidente de trabalho gerou uma perda da renda bruta mensal de uma organização familiar. Como ficou a educação técnica dos dependentes?
E neste contexto é que se acende uma luz mostrando como ações de saúde e segurança no ambiente do trabalho são indispensáveis no contexto do desenvolvimento sustentável.
O homem-trabalhador deve ser visto como um capital, ou seja, um recurso que se bem trabalhado e suportado por condições adequadas de trabalho, pode gerar valores, medidos pela qualidade e produtividade.
Garantir uma cadeia de valores alinhada às motivações do mercado não é trabalho de um homem só, este processo deve ter a participação de toda a força de trabalho da empresa, como uma grande equipe.
A construção de uma cadeia de valores se faz com a sinergia entre conhecimento e experiência, alimentada por capital intelectual (capaz de entender a sociedade, identificar oportunidades e desenvolver inovações) e a redução de incertezas para efetivas tomadas de decisão durante a gestão de recursos (planejamento estratégico com uma abordagem proativa e sistêmica).
A redução da incerteza pode ser realizada por meio de um melhor levantamento de informações, consolidação e avaliação. A aplicação de todo esse conhecimento é medida pela capacidade de simular cenários futuros, ou seja, prever eventos potenciais e cenários diferenciados ao mercado, sociedade, leis e condições ambientais.
Neste contexto temos a visão sistêmica, com destaque à força das inter-relações dos elementos que constituem um sistema e ao mesmo tempo, à responsabilidade pela segurança de produtos por todo o ciclo de vida, da concepção do projeto ao fim da vida útil de mercado e da extração dos recursos até a disposição final no meio ambiente.
Quantas vezes já presenciamos a perda de produtividade e sinergia após a troca de um funcionário dentro de uma equipe?
Quantas pessoas já cortaram o dedo com uma folha de papel?
Quantas ao olhar para a aliança de casamento não pensaram na contaminação por mercúrio dos garimpeiros de ouro?
Quantas já ouviram falar de contaminações de cidadãos que moram em local de antigos aterros descontrolados?
Por quantos “recalls” já passamos?
Quantos engenheiros, durante o desenvolvimento de um novo produto, pensam nos danos de segurança e saúde que a obtenção das matérias-primas, produção do produto, uso e descarte geram aos trabalhadores e população exposta?
Essas questões estão todas diretamente ligadas à saúde e segurança. Não são apenas da área de meio ambiente. Podem não envolver diretamente os próprios trabalhadores, mas com um preceito da responsabilidade social corporativa, todos os tomadores de decisão empresarial deveriam ter em mente os riscos que suas decisões acarretam aos trabalhadores de outras empresas.
Enfoque de Ciclo de Vida (Life Cycle Thinking)
Para efetividade do SGSST com foco na sustentabilidade dos negócios, há a necessidade de se incorporar um enfoque de ciclo de vida sobre capital humano, empreendimentos (instalações), processos e produtos.
Todo empreendimento possui um ciclo de vida:
·definição do local;
·desenvolvimento do projeto;
·construção e montagem;
·operação/manutenção/modificações e
·finalização das operações/descomissionamento.
Dentro de uma abordagem de “berço ao berço”, aos ativos constituintes dos empreendimentos, uma nova função deve ser definida após o término de sua vida funcional, buscando uma continuidade da geração de valores às partes interessadas.
Produtos e processos possuem um ciclo de vida nas dimensões temporal e espacial. O temporal trata-se do ciclo de desenvolvimento do produto ou processo, semelhante ao do empreendimento.
Tomadas de decisão durante as definições de projeto de empreendimentos, produtos e processos determinam os agentes ocupacionais e os riscos de segurança de processo durante a operação do empreendimento.Para melhor elucidar cita-se:
·escolhas por rotas tecnológicas que utilizam insumos altamente tóxicos, instáveis ou inflamáveis determinam maior risco em SST durante a produção do produto;
·escolhas por locais com presença de passivos ambientais pode expor trabalhadores a agentes químicos;
·falhas na construção e montagem ou troca de material de construção (diferente do projetado) podem comprometer a integridade física da instalação e resultar em grandes acidentes;
·adaptação de instalações desativadas para um novo uso, sem que haja efetivo gerenciamento dos riscos, pode também resultar em grandes acidentes;
·e muitas outras possibilidades que levam os gestores a valorar o ciclo de vida e não apenas a operação ou produto.
Uma preocupação psicológica quanto à incerteza da continuidade dos negócios pode desmotivar o trabalhador, acarretar acidentes do trabalho ou problemas de saúde.
Uma empresa que não está preparada para uma resposta além do típico atendimento à emergência pode não sobreviver após uma crise, afetando psicologicamente os trabalhadores ao pensarmos no segundo nível inferior da pirâmide de Maslow, sobre segurança pessoal e garantia de trabalho.
Após um desastre na empresa, mesmo que não ocorram fatalidades, os trabalhadores irão se preocupar com a possibilidade de perderem seu emprego e não mais atender suas necessidades básicas. De forma análoga, temos a questão dos descomissionamentos.
O descomissionamento ou fechamento do empreendimento representa um evento de interrupção que envolve também a dependência dos trabalhadores. Ter um plano visando um uso futuro dos ativos, maximizando as oportunidades, pode definir um novo posto de trabalho aos trabalhadores e comunidade, dando sustentabilidade ao negócio.
Retornando ao ciclo de vida dos produtos, esses possuem uma dimensão espacial que se trata da relação de dependência de produtor/consumidor para que exista o produto final. Este produto final, ainda será utilizado e um dia será disposto no meio ambiente.
Por mais que céticos venham a argumentar que o SGSST deve visar o trabalhador e, portanto não cabe envolver segurança de produto fornecido, mas apenas envolver a segurança de produtos adquiridos é importante relembrar que uma interrupção dos negócios decorrente de uma crise associada à segurança de produtos fornecidos aos clientes, pode afetar as necessidades dos trabalhadores da empresa produtora.
Buscar uma gestão aplicada ao ciclo de vida (Life Cycle Management) permite:
·reduzir os riscos de recebimento de insumos e matérias-primas contaminadas ou altamente perigosas (os chamados hazardous substances) que gerem danos em SST aos funcionários que os manuseiam;
·receber máquinas mais seguras;
·ter maior confiabilidade de equipamentos de proteção individual e coletiva;
·reduzir os riscos de segurança de produto que podem danificar a imagem da empresa e tirá-la do mercado.
Conclusão
De certo modo, pensando como “pano de fundo” a matriz de Stuart L. Hart para geração de valores e os aspectos motivacionais da Teoria da Pirâmide de Abraham Maslow, nos permite visualizar a:
·junção da gestão de pessoas com a perenidade dos negócios; e
·correlacão da saúde e segurança física e mental dos trabalhadores com a geração de lucros e aumento do valor intangível do negócio.
"Sem capital intelectual, não há quem gere valores hoje e nem quem gere amanhã."
São Paulo, 18 de agosto de 2011 Fornecedores: oportunidade e ameças
por Alexandre Yokote
Nos últimos 10 dias, 2 programas de TV destacaram questões de sustentabilidade associadas à cadeia de suprimentos, um deles destacou a segunda fase de uma campanha de uma grande rede de varejo em relação ao desenvolvimento de produtos mais sustentáveis e no outro programa foram mostrados problemas com trabalho escravo em terceirizações das fabricantes de peças de vestuário de uma destacada rede de lojas.
Resumindo, no primeiro caso os fornecedores eram uma OPORTUNIDADE e no outro uma AMEAÇA.
E por que isso acontece? Riscos possuem duas faces, a positiva e a negativa, a cultura da empresa é que direciona estrategicamente como esses riscos de supply-chain serão geridos.
Enquanto um buscou a construção de uma Cadeia de Valor numa relação ganha-ganha de parceria e compartilhamento de experiência, o outro se posicionou de uma maneira mais afastadas, uma relação de negócios gerida por desempenho financeiro estabelecimento de um códigos de ética a ser seguido.
Antes de tudo temos que saber trabalhar culturalmente com a questão de oportunidades e ameaças, em seguida precisamos conhecer os aspectos socioambientais para gerir as ameaças e buscar as oportunidades.
Um exemplo que podemos citar, diferente dos apresentados nos programas é o caso de cartões de crédito e débito. Cada um de nós consegue imaginar a quantidadede cartões que são emitidos no mundo. Esses cartões são feitos em sua maioria de PVC, que por sua vez tem a cadeia de fornecedores até o Petróleo e das indústrias de cloro-álcalis. Quando pensamos em PVC surgem questões de ameaças como dificuldade em se degradar na natureza, consumo de petróleo, acidentes com cloro e assim por diante. Entendendo-se esta cadeia, nos últimos anos começou um trabalho em busca de cartões verdes, surgindo cartões de PVC biodegradável, PET reciclado, plásticos de amido de milho, ... Uma grande oportunidade que alguns bancos estão aproveitando, lançando cartões verdes aos seus clientes. Paralelamente o mundo de cartões aposta em uma oportunidade complementar com um selo verde, a International Card Manufacturing Association lançou o Ecolabel Standard Program, que está embasado na ISO 14025 declarações ambientais tipo III, com recurso técnico de análise de ciclo de vida.
E ao mesmo tempo, os cartões são entendidos como meios de pagamento e nesta abordagem há uma migração de cartões para os meios eletrônicos como os de celular.
Portanto, para a construção de uma real Cadeia de Valor, não bastam apenas reuniões e especificações em seleção e contrato. Há uma responsabilidade compartilhada sobre o produto, levando a um processo de parceria com programas de desenvolvimento e não apenas de fiscalização.
Eu pessoalmente já tive experiências desenvolvendo ferramentas e processos de diagnóstico e desenvolvimento socioambiental de fornecedores. Nesta oportunidade, uma das principais instituições financeiras do mercado, através de seu programa de relacionamento com fornecedores, de certa forma proveu serviços de diagnóstico institucional sobre o enfoque socioambiental aos seus principais fornecedores, o que permitiu a troca de experiência e a formulação de planos de melhoria visando uma Cadeia de Valor. Ambas as partes reconheceram a importância desse trabalho em conjunto.
Quando falamos em produtos mais sustentáveis, estamos falando em produtos que atendam as necessidades humanas, gerando mais valor à sociedade, buscando além da satisfação funcional, uma inclusão social, benefícios ambientais e redução dos impactos ambientais e sociais ao longo do seu ciclo de vida.
Sustentabilidade é Responsabilidade e Equilíbrio, portanto produtos sustentáveis também devem olhar para o Lucro.
Neste contexto de Design for Sustainability (DfS), Design for Environment (DfE), Ecodesign e assim por diante, temos algumas referências de apoio, tais como a ISO/TR 14062, mas o importante mesmo é expandir o uso da técnica de Análise de Ciclo de Vida, que apesar de hoje ser utilizada para tomada de decisão com foco na questão meio ambiente, tamém pode ser utilizada para geração de valor tangível e intangível (Life cycle costs, total cost assessment, full cost assessment, ...), bem como para questão social (social LCA, para isso recomendo o The Life Cycle Initiative da UNEP com a publicação: Guidelines for Social Life Cycle Assessment of Products disponível em: http://www.unep.fr/scp/publications/details.asp?id=DTI/1164/PA).
Para ciclo de vida de produtos de um modo geral, no Brasil temos a Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV) .
São Paulo, 08 de agosto de 2011 Quanto nos custa um risco percebido diferente do risco real?
por Alexandre Yokote
As fotos acima (com fontes citadas) são de dois acidentes maiores ocorridos nos últimos tempos, a do depósito de químicos da Di-All Química (27/03/2011) em Diadema e a da fábrica da Oldflex (29/07/2011) em Embu.
O que tinha em comum nestas duas ocorrências, além de serem acidentes maiores segundo a OIT 174? Dois pontos merecem a atenção, ambas estavam próximas de importantes rodovias de SP e de comunidades residenciais.
Muitos artigos e noticiários comentam sobre os danos a essa população, destacando as perdas patrimoniais e lucros cessantes decorrentes de interrupções das rodovias e de outras dependências comerciais, além é claro de processos civis por danos morais.
Claramente consideramos vida acima de tudo. E isso é realmente crucial e indispensável na gestão de riscos.
Quando falamos em acidentes maiores, trabalhamos fortemente na disciplina da Segurança de Processos (Process Safety), que em minha opinião é uma importante disciplina integrada da Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, porém não muito trabalhada na academia (em geral muito restrito a bacharelados em Engenharia Química e pós em Segurança do Trabalho). Falo isto, pois há cursos no mundo para formação em Engenheiros de Risco e Engenheiros de Prevenção de Perdas, onde a carga em segurança de processo é conteúdo central.
Ótimo que já temos gente pensando nisso. Temos a OIT 174, a NR20 deve estar em fase de revisão para assimilar melhor a OIT, mas os estados possuem seus próprios controles, tais como os EAR e PGR solicitados pela CETESB conforme o manual P4.261. Citando, nos EUA têm o PSM pela OSHA (saúde e segurança) e o RMP pela EPA (Meio Ambiente).
Mas vamos às lacunas. Por lei, independente de lícito ou ilícito, quem causar danos a outrem deve repará-lo. Mas e quando estamos falando em percepção sobre um risco?
Os moradores que tiveram suas casas danificadas receberão indenizações, os danos foram concretizados. Mas vamos pensar numa comunidade que mora ao redor de uma instalação similar a dos acidentes. Com as ocorrências noticiadas, a sociedade começa a conhecer o risco e surgem percepções variadas quanto a probabilidade e a severidade associadas a esses riscos de acidentes maiores, mesmo que estes riscos ainda não tenham se manifestados nos presentes locais.
Quanto que nos custa, ou quanto passaremos a perder por morar próximo à instalações consideradas perigosas (ex.: instalações com tancagens químicas, amônia, explosivos, combustíveis e inflamáveis, ...)?
Enquanto que propriedades próximas às estações de metrô de valorizam, outras próximas a instalações perigosas se desvalorizam pela lei de valor de mercado. Por percepção ao superestimar um risco quanto a amplitude e impacto dos danos e probabilidade da ocorrência, a sociedade pode subvalorizar um ativo. Menor a procura, menor o valor de mercado. Um terreno propício à construção de um shopping, após estes acidentes pode ter seu valor de mercado reduzido significativamente por estar próxima a um gasoduto ou então uma distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP), mesmo que o risco social e o individual estejam em faixas toleráveis.
A nova questão agora é como incorporar estas externalidades, se os danos não estão caracterizados fisicamente ou moralmente. Como podemos alegar que uma propriedade perdeu valor em função da mudança da percepção sobre um risco?
Caberia a quem arcar com as perdas de um risco percebido sob a ótica da lei de valor de mercado? Que bases técnicas poderiam subsidiar o cálculo para uma eventual indenização?
Já passamos por algo similar com a questão das faixas de segurança e servidão de Linhas de Transmissão, agora vamos esperar no mínimo por uma jurisprudência para esses novos casos.
No momento desconheço a existência dessa Jurisprudência, mas acredito que frente ao boom imobiliário, o crescimento da população e esses diversos acidentes maiores ocorrendo próximos de áreas residenciais, mais cedo ou mais tarde, isso vai aparecer em destaque impactando financeiramente o meio empresarial, principalmente o das Indústrias de Processos Químicos.
Mais cabe advertir, não são apenas as indústrias que podem ser donos de riscos de acidentes maiores, também poderíamos citar frigorífico refrigerado ou uma engarrafa de água com gás que utiliza amônia como fluido refrigerante, uma empresa de fertilizantes nitrogenados e muitas vezes até um hospital com autoclave ou caldeiras, silos de grãos, depósitos de resíduos, dentre outros.
E por fim, procure na internet vídeos sobre backdraft e saiba que a residência do seu vizinho também pode gerar uma boa explosão!
São Paulo, 01 de agosto de 2011 Seria a Societal Security uma novidade?
por Alexandre Yokote
Como normativa internacional de referência no contexto de gestão de incidentes, começa a ganhar pauta os trabalhos do Comitê ISO/TC 223, cujo escopo é provisoriamente: padronização internacional na área de societal security (segurança social), com intuito de aumentar a capacidade e habilidade em gestão de crises e continuidade de negócios, isto é,por meio da melhoria nos aspectos de interoperabilidade (capacidade de pessoal, sistemas e organizações diversas trabalhar em conjunto sem problemas),bem como compartilhar uma consciência entre todas as partes interessadas .
TC 223 está trabalhando em normas internacionais que proverão proteção e resposta a riscos de causados por atos intencionais e não intencionais humanos, catástrofes naturais que se associam a crises e desastres de interrupção afetando as funções sociais.
De certa forma irá trabalhar na gestão de riscos associado a incidentes que podem resultar em emergências, crises e rupturas da operabilidade e das funções numa sociedade. Porém, como um complemento à ISO 31000, o foco principal será na gestão sobre riscos residuais, tendo um caráter de preparo e resposta a não de prevenção.
Apenas facilitar seguem algumas terminologias:
·Societal Security: Proteção e resposta da sociedade frente a incidentes, emergências e desastres causados por atos intencionais e não intencionais humanos, catástrofes naturais e falhas técnicas.
·Desastre: situação em que uma perda generalizada humana, material, econômico ou ambiental que tenha ocorrido, excedeu a capacidade da organização, comunidade ou sociedade afetada a reagir e recuperar usando seus próprios recursos.
·Emergência: ocorrência imprevista; uma ocasião súbita e urgente de ação.
·Crise: situação com alto nível de incerteza que perturba as atividades principais e / ou a credibilidade de uma organização e exige uma ação urgente.
·Incidente: situação que possa ser, ou poderia levar a uma interrupção (ruptura do negócio), perda, emergência ou crise.
As normas em desenvolvimento pelo TC 223 da ISO
·ISO/DIS 22300 - Societal security -- Vocabulary
·ISO/DIS 22301 - Societal security -- Preparedness and continuity management systems -- Requirements
·ISO/CD 22311 - Societal security -- Videosurveillance Format for Interoperability
·ISO/CD 22313 - Societal security -- Business continuity management systems -- Guidance
·ISO/FDIS 22320 - Societal security -- Emergency management -- Requirements for command and control
·ISO/WD 22323 - Organizational resilience management systems - Requirements with guidance for use
·ISO/PAS 22399:2007 - Societal security - Guideline for incident preparedness and operational continuity management
No meu ponto de vista, não há diferenças técnicas entre Societal Security e proteção e resposta a incidentes. O Societal Security seria um contexto ou objetivo dentro de uma gestão de incidentes, portanto de certa forma, as outras normas existentes, como a BS 25999 (ABNT 15999) ou NFPA 1600 já trabalham com este contexto, auxiliando na especificação de gestão de emergências, disastres, crises e continuidade de negócios.
Enquanto as normas atuais se concentram muito nas organizações ou empresas públicas e privadas, o contexto da social security aparenta ser mais abrangente, por envolver a segurança da sociedade frente aos incidentes.
Finalmente, não espere novidades se você já é do ramo de comunicação e gestão de crises, continuidade de negócios e resposta a emergência, ou mesmo da gestão de riscos como um todo.
O mais importante a esperar seria uma definição mais clara para a sociedade do que será CRISE e inclusive um guia prático de delimitação do escopo frente a emergência e interrupção operacional, isto ajudaria na padronização das nomenclaturas de mercado para a gestão de crises que pela NFPA 1600: capacidade de uma entidade para gerir incidentes que têm o potencial de causar impactos significativos de segurança, financeiro, ou de reputação.
Talvez isto fique mais claro com a BS PAS 200 também em desenvolvimento, mas uma ISO seria mais interessante.
Em nosso modelo de serviços trabalhamos com uma gestão de incidentes em 4 partes que sempre nasce de uma atividade única que é a identificação de riscos:
·Prevenção dos incidentes
·Planos de resposta a emergência
·Planos de continuidade de Negócios e Disaster Recovery
·Planos de Comunicação de Crises
São Paulo, 25 de julho de 2011 Fortalecimento da gestão de ciclo de vida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos
por Alexandre Y. Yokote
Como muitos de vocês já sabem, em agosto de 2010 foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pela LEI nº 12.305 de 02 de agosto de 2010, esta por sua vez foi regulamentada pelo DECRETO nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010. Dentre outros destaques, um princípio fundamental dessa Política é a “Responsabilidade Compartilhada”.
Conforme o Art. 3º, responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é o conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei.
Independente de quais etapas do ciclo de vida de um produto nós estamos presentes, temos uma carga de responsabilidade pelos impactos ambientais associados a ele.
Acreditamos que esta LEI será um divisor de águas na gestão do ciclo de vida ou Life Cycle Management, ao despertar preocupações, demandas e obrigações quanto aos impactos ambientais associados a existência dos produtos. Estamos em um contexto de “riscos e oportunidades”, de um lado haverá a cobrança pelo bom desempenho ambiental ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos, mas de outro lado incentiva-se a possibilidade de construção de uma cadeia de valores na relação holística de produtos / consumidor, com a construção de processos e produtos mais ecoeficientes.
Se ainda não fez, para por instantes para conhecer a PNRS. Você sabe quantas vezes aparece o termo “ciclo de vida”?
São 14 vezes na PNRS e mais 5 vezes na regulamentação.
A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida é um princípio a ser seguido como inevitável à construção de uma real Cadeia de Valor.